Quando instalamos energia solar nas nossas casas, conduzimos um automóvel elétrico, compramos marcas de comércio justo ou separamos os resíduos, todos pensamos em como podemos ter um impacto positivo no mundo em que vivemos. Isso não é diferente para os investidores, que têm atualmente ao seu dispor vários tipos de relatórios, que os apoiam na identificação dos tópicos de sustentabilidade, que questionam as empresas e organizações sobre informação que lhes permita comparar, nomeadamente através de requisitos ESG (“Environmental, Social and Governance”), as bolsas de valores, as estratégias de investimento, os ratings de sustentabilidade, entre outros.

Para se compreender o alcance, atual e futuro, dos temas ESG, é necessário compreender a sua origem: o conceito de Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Independentemente das definições mais ou menos sofisticadas, a RSC possui 4 dimensões de responsabilidade: económica para com os Investidores, legal para com os Governos, ética para com a Sociedade e discricionária para com a Comunidade.

Hoje em dia, as práticas de RSC e incorporação de fatores ESG contribuem para a redução do risco (por antecipação dos impactos sobre a sociedade), a melhoria das relações com as partes interessadas (colaboradores, reguladores, fornecedores, clientes, etc.) e a redução do custo de capital. Este último aspeto em particular evidencia que as empresas que adotam políticas de RSC/ESG são mais atrativas para os investidores porque: i) têm melhores práticas de governo societário, ii) gerem melhor os riscos e, iii) interagem de forma mais equilibrada as partes interessadas.

Assim, empresas com estratégias ESG estão, gradualmente, a tornar-se mais apelativas aos investidores e, consequentemente, a integrar um maior número de carteiras de fundos de investimento. Estes fundos, ao agregarem empresas com estratégias ESG, estão a criar uma área específica no mercado de investimento.

Uma das questões que tem gerado maior debate é se este tipo de fundos apresenta, ou não, rendibilidades superiores aos fundos tradicionais (i.e. que não têm em consideração os temas ESG). De acordo com o Business Council for Sustainable Development (BCSD), cerca de 2/3 dos estudos realizados durante as últimas décadas apresentam uma correlação positiva, ou seja, os fundos de investimento responsável têm, no mínimo, os mesmos retornos financeiros que os fundos tradicionais, sendo que 63% dos estudos realizados apontam para uma rendibilidade superior por parte dos fundos com estratégias ESG.

Estratégias de investimento sustentável e dimensão dos ativos

O investimento sustentável está, cada vez mais, a ganhar importância nos mercados financeiros globais.

Segundo o estudo “2018 Global Sustainable Investment Review” da GSIA, os ativos de investimento sustentável atingiram 30,7 biliões de dólares no início de 2018 nos principais mercados mundiais – EUA, Canadá, Europa, Japão, Austrália e Nova Zelândia – um aumento de 34% em dois anos, sendo responsáveis por uma parcela considerável de ativos sob gestão em cada região, variando de 18% no Japão a 63% na Austrália e Nova Zelândia. Na Europa, o total de ativos comprometidos com estratégias de investimento responsável e sustentável cresceu 11% de 2016 a 2018, atingindo 12,3 biliões de euros (14,1 biliões de dólares), mas o seu peso caiu de 53% para 49% do total de ativos sob gestão.

Fundos ESG da IMGA

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Desde Setembro, a IM Gestão de Ativos (IMGA) passou a incorporar fatores de natureza ambiental, social e de governo societário (ESG) nos critérios de investimento dos fundos por si geridos.

  • IMGA Iberia Fixed Income ESG

Tem como objetivo proporcionar um nível de rendibilidade a médio prazo compatível com o risco associado ao investimento em dívida de emitentes portugueses e espanhóis não envolvidos em atividades ou setores controversos e privilegiando os emitentes do respetivo universo que adotem as melhores práticas ao nível de ESG ou emissões cujo objetivo seja financiar projetos com impacto positivo quer a nível social quer a nível ambiental (Social Bonds e Green Bonds).

Início de Atividade: Fevereiro de 2017
Subscrição Inicial: 500 euros; ou 50 euros em Plano de Investimento
Comissão de Subscrição: Nula
Comissão de Resgate: 0%
Comissão de Gestão: 0.875%

  • IMGA Iberia Equities ESG

Com o objetivo de proporcionar uma valorização do capital a médio e longo prazo através do investimento em empresas cotadas nos mercados regulamentados em Portugal e Espanha , este Fundo privilegia empresas que adotem as melhores práticas ao nível de ESG, abstendo-se de investir em setores controversos (tabaco, jogo e armamento pessoal ou empresas cuja maioria das receitas seja proveniente dessas atividades).

Início de Atividade: Fevereiro de 2017
Subscrição Inicial: 500 euros; ou 50 euros em Plano de Investimento.
Comissão de Subscrição: Nula
Comissão de Resgate: 0% (até 31.12.19)
Comissão de Gestão: 2.175%

A Triagem Negativa (“negative or exclusionary screening”) e a Integração ESG (“ESG Integration”) são as duas principais estratégias de investimento sustentável, com 75% dos ativos sob gestão, sendo a primeira a mais seguida na Europa, enquanto a segunda comanda a maioria dos ativos nos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. No Japão a estratégia predominante é a de Compromissos Corporativos (“corporate engagement and shareholder action”).

Relativamente ao tipo de investidores, embora os institucionais continuem a dominar o mercado financeiro, o interesse dos pequenos investidores em investimentos sustentáveis e responsáveis tem crescido consistentemente. O mesmo estudo revela que os investidores institucionais detinham 89% dos ativos em 2012, que compara com 75% em 2018, ou seja, os pequenos investidores já detêm 25% dos ativos de investimento sustentável.

O futuro (do investimento) é sustentável?

É inegável a recente alteração na forma como as empresas identificam as oportunidades e os riscos de negócio, implicando novos métodos de avaliação de riscos e novos racionais associados ao processo de decisão. É neste contexto de rápida mudança que assistimos hoje à necessidade de informação clara e simples por parte dos investidores para antecipar os desafios do futuro.

Ao nível regulamentar são muitas as novidades previstas, entre as quais se destacam a Diretiva Europeia da informação não financeira; o “High Level Expert Group on Sustainable Finance”, lançado pela Comissão Europeia em 2016, que tem como missão definir a Estratégia Europeia de Finanças Sustentáveis, que propõe, por exemplo, a criação de um sistema de classificação de produtos e ativos financeiros de acordo com o seu desempenho em sustentabilidade; e a introdução de um Standard Europeu para as Obrigações Verdes (Green Bonds).

O setor financeiro será inevitavelmente um parceiro deste novo mundo de investimentos, que promova e concilie um modelo económico de baixo carbono com a criação de emprego, riqueza e bem-estar.

Relativamente à incorporação dos riscos e fatores ESG por parte dos gestores de ativos no mercado nacional, existe ainda um longo caminho a percorrer em matérias de organização, condições operacionais e gestão de riscos, estando o seu sucesso dependente, em larga medida, do adequado “expertise” e “know-how” dos operadores, da existência de um universo de ativos suficientemente diversificado e de informação comparável e fiável. Por estes motivos, este caminho deverá ser feito de forma integrada e equilibrada que, ao invés de impor regras rígidas e prescritas, defina orientações e normas gerais, que assegurem proporcionalidade e atendam à ampla diversidade de estilos e abordagens de investimento.

Um artigo de opinião da autoria IMGA