O gabinete de estudos do Banco Fomento Angola disse esta segunda-feira que as reservas líquidas de Angola em moeda estrangeira caíram para 10,1 mil milhões de dólares, o valor mais baixo desde pelo menos 2011.

De acordo com o relatório semanal enviado esta segunda-feira aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, os analistas do BFA sublinham que este valor, equivalente a 9,1 mil milhões de euros, “é o valor mais baixo desde pelo menos 2011, quando a atual série estatística começou”.

No documento, o gabinete de estudos económicos do BFA acrescenta que, comparando com o final do ano passado, as reservas representam menos 555 milhões de dólares (9,1 mil milhões de euros), o que equivale a uma queda mensal de 62 milhões de dólares (55 milhões de euros).

“Considerando os 12 meses até setembro, as reservas caíram 1,9 mil milhões de dólares [1,7 mil milhões de euros], sendo que o mínimo acordado com o Fundo Monetário Internacional é de 9,1 mil milhões de dólares [8,2 mil milhões de euros]”, lê-se no relatório semanal, que dá ainda conta que este valor representa “5,6 meses de importações, abaixo dos 6 meses de meta das autoridades”.

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Comentando as decisões do Banco Nacional de Angola na semana passada, permitindo a oscilação livre do kwanza nos leilões de moeda estrangeira, o BFA nota que “o kwanza desvalorizou-se 6,1% face ao dólar na semana passada, o que representa uma depreciação acumulada de 35,97% desde o início do ano”.

Assim, acrescentam os analistas, o dólar já está a ser transacionado no mercado paralelo a 610 kwanzas por cada dólar, o que significa que “a diferença entre a taxa paralela e a oficial situa-se nos 26,2%”.

O BNA anunciou na quarta-feira uma série de medidas tomadas na reunião extraordinária do Comité de Política Monetária, entre as quais o fim da margem de 2% sobre a taxa de câmbio de referência que era praticada pelos bancos comerciais na comercialização de moeda estrangeira no mercado interbancário e aos clientes.

No início do ano, o BNA tinha já retirado o limite de 2% imposto aos bancos no leilão de divisas e elimina agora a margem de 2% que os bancos podem aplicar, esperando encontrar um equilíbrio cambial até ao final do ano.

O comité de política monetária do BNA decidiu também manter inalterada a taxa de juro nos 15,5% e ajustou de 17% para 22% o coeficiente de reservas obrigatórias para moeda nacional.