A WhatsApp vai processar uma empresa israelita suspeita de ter criado um spyware que poderia permitir entrar no telefone de qualquer um dos 1,5 mil milhões de utilizadores daquela aplicação de troca de mensagens, bastando para isso que fosse feita uma simples chamada para uma potencial vítima, que ficaria com telemóvel “infetado” mesmo que não a atendesse.

Mais concretamente, a WhatsApp está a acusar aquela empresa, a NSO, de ter utilizado aquele spyware para entrar entrar nos telemóveis de mais de 1400 utilizadores em 20 países. A NSO autodescreve-se como uma empresa que “ajuda agências governamentais a detetar e prevenir terrorismo e crimes graves”.

As intromissões terão acontecido entre o final de abril e o início de maio deste ano e terão tido vítimas tão díspares como um coletivo de jornalistas e ativistas mexicanos, um cidadão do Qatar ou ainda Omar Abdulaziz, um ativista saudita que está exilado no Canadá.

“Esta é a primeira vez que uma aplicação de mensagens encriptadas está a tomar uma ação legal contra uma entidade privada que levou a cabo este tipo de ataque contra os seus utilizadores”, disse um porta-voz do WhatsApp, citado pelo The Guardian. “Na nossa queixa, explicamos como a NSO executou este ataque, incluindo o reconhecimento de um funcionário da NSO de que os passos que demos para remediar este ataque foram eficazes.”

O WhatsApp descobriu esta intromissão na sua aplicação na sequência de uma parceria que desenvolveu com o Citizen Lab, um grupo de investigação da Munk School of Journalism, da Universidade de Toronto, no Canadá. Um dos investigadores, John Scott-Railton, disse ao The Guardian que o processo que o WhatsApp vai mover contra a NSO representa um “enorme passo positivo para a proteção dos Direitos Humanos online e vai sem dúvida marcar um precedente”.

O mesmo investigador referiu que a NSO se escuda numa mensagem de suposta proteção de de Direitos Humanos ao mesmo tempo que trabalha “em proximidade com governos” que podem perseguir jornalistas, ativistas e outros líderes cívicos.

Num comunicado de imprensa divulgado após ser conhecido processo movido pela WhatsApp, a NSO disse rejeitar “nos termos mais fortes” as acusações acrescentou que o “único propósito” daquela empresa israelita é a de “providenciar tecnologia a agências governamentais de serviços de informação autorizadas, para os ajudarmos a lugar contra o terrorismo e crimes graves”.

“A nossa tecnologia não está desenhada, nem nós a licenciamos, para ser usada contra ativistas de Direitos Humanos e jornalistas”, lê-se no mesmo comunicado.