Todos os construtores de automóveis estão a realizar um esforço hercúleo – e a investir vários milhares de milhões de euros no processo – para reduzir os consumos médios e, com eles, as emissões de carbono para a atmosfera. A solução mais drástica passa por recorrer a automóveis com motores 100% eléctricos, sejam eles alimentados por bateria ou por célula de combustível a hidrogénio. Mas para conseguir cumprir os limites de CO2  impostos por Bruxelas para os modelos comercializados no Velho Continente, já em 2020, vai ser necessário comercializar muitos híbridos e híbridos plug-in (PHEV).

Os primeiros PHEV a introduzir no mercado europeu pela FCA, já no princípio de 2020 em muitos países e na segunda metade do ano para os restantes (Portugal incluído), vão ser o Jeep Renegade PHEV e o Jeep Compass PHEV. A sua produção já foi iniciada, estando ainda em fase de testes e validação, para arrancar em pleno antes do final do ano, a fim de estar em condições de iniciar as entregas a clientes no início do próximo ano. O Observador acompanhou este início de produção, viu os SUV híbridos plug-in serem montados e apercebeu-se das diferenças e semelhanças com as versões exclusivamente com motores de combustão.

Baterias coreanas e alma italiana

Os dois PHEV da Jeep são produzidos na linha de montagem que até há cerca de um ano estava ao serviço do Fiat Punto. Depois de ser alvo de uma profunda actualização, esta zona da fábrica de Melfi está agora pronta a montar um motor eléctrico, uma bateria e todo o sistema de gestão de energia e carga, em veículos que até aqui sempre montaram exclusivamente motores a gasolina e a gasóleo.

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O Regenade PHEV e o Compass PHEV montam o mesmo motor a gasolina, o já conhecido 1.3 Turbo, que surge com versões de 130 cv e 180 cv no SUV mais pequeno da Jeep, para recorrer apenas à versão mais potente no Compass. O motor de combustão transmite a potência às rodas da frente, para depois surgir um motor eléctrico com 60 cv a garantir a tracção às rodas traseiras, permitindo aos Renegade e Compass PHEV usufruir daquilo a que a Jeep apelida de 4x4e, ou seja, um sistema de tracção integral em que o motor a gasolina move as rodas anteriores e um eléctrico as posteriores. Este motor eléctrico é também o mesmo para ambos os modelos.

Também a bateria é a mesma, fornecida pelos sul-coreanos da LG – os maiores fornecedores das marcas europeias -, que já as fazem chegar a Melfi devidamente montadas num pack, com uma capacidade de 11,4 kWh e prontas a ser instalada a bordo. E é aqui que surgem as diferenças, pois enquanto o Renegade monta a bateria lateralmente na bagageira, de forma a não limitar a capacidade da mala, colocando os sistemas de gestão sob o banco traseiro, o Compass instala o pack de acumuladores coreanos no túnel central. Desta forma, a Jeep consegue manter a mesma volumetria disponível no habitáculo e mala.

Como andam e quanto vão gastar?

Com os Renegade e Compass híbridos plug-in a não estarem ainda a ser fabricados em série, a Jeep aguarda a homologação dos valores relativos à respectiva performance, consumo e emissões segundo o método WLTP. Contudo, a marca americana da FCA avança com estimativas, determinadas pelos veículos de testes, o que aponta para ambos os SUV PHEV serem capazes de percorrer 50 km em modo exclusivamente eléctrico, com uma velocidade máxima de até 130 km/h.

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Enquanto o Renegade PHEV oferece versões com uma potência combinada de 190 e 240 cv, o Compass apenas disponibiliza a motorização híbrida plug-in mais possante, aquela em que alia o motor 1.3 Turbo com 180 cv ao eléctrico com 60 cv. Nesta versão mais possante, os 240 cv revelam-se capazes de empurrar ambos os SUV até aos 100 km/h em cerca de 7 segundos, um valor compatível com a potência anunciada.

O grande trunfo dos SUV PHEV reside, contudo, no consumo e nas emissões anunciados, que são beneficiados pela forma como a norma WLTP os determina. E eles impactam o volume de impostos a que estão sujeitos, sobretudo em países como o nosso, onde o CO2 é taxado. Se o Renegade equipado exclusivamente com o motor 1.3 Turbo de 180 cv está homologado segundo o método mais permissivo NEDC com um consumo médio de 7,1 litros/100 km, estima-se que o Renegade PHEV, com o mesmo motor a gasolina ajudado por outro eléctrico, seja homologado com um consumo de apenas 1,5 litros/100 km em WLTP.

Esta grande diferença nos consumos volta a repetir-se nas emissões de CO2, pois enquanto o Renegade a gasolina com 180 cv emite 163g de CO2 por quilómetro, o mesmo Renegade PHEV deverá baixar este valor para cerca de 30g, uma forte redução que se deverá reflectir no preço. Se será suficiente para compensar o custo mais elevado do modelo, devido à presença das bateria de iões de lítio, é algo que só vamos poder tirar a limpo depois de serem conhecidos os preços das novas versões mais amigas do ambiente e da carteira dos utilizadores.