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É domingo em Vidago, tarde cinzenta, chuva miudinha e a cidade inteira parece ter-se amontoado em torno da antiga escola primária para meninas, um edifício de pedra, do século XIX. Muitos não sabem quem foi o pintor João Vieira, precursor da arte contemporânea portuguesa, fundador dos KWY, ilustre membro do grupo do Café-Gelo, pintor de letras, cenógrafo, ilustrador. Alguns saberão quem é o músico dos Ena Pá 2000 AKA Candidato Vieira AKA Lello Minsk AKA Manuel João Vieira, que anda por ali de ténis e parka como um trabalhador rural que não faz fins-de-semana. Mas todos sabem quem é António Costa, primeiro-ministro recém-eleito, antigo mareante da geringonça e é ele que querem ver. De resto, também há carros de reportagem, jornalistas de microfone e riste e muitas câmaras de filmar.

De certo ninguém esperava uma enchente daquelas, nem sequer Manuel João Vieira que há 10 anos luta por levar avante o projeto de criar uma Casa Museu que albergue algumas das muitas obras do seu pai. Uma odisseia com avanços, recuos e outros tantos momentos de desânimo, mas que acabou por se levantar como uma forma de fazer justiça à vida e obra de João Vieira. E se ficou feliz por ver lá tanta gente, inclusive o António, seu antigo colega de escola preparatória, também não deixou de reparar que a intensa cobertura jornalística do evento serviu mais para falar do primeiro-ministro e de sound bites políticos do que para falar do artista que era a razão daquilo tudo.

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