O Novo Banco registou um prejuízo consolidado de 572,3 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, valor que representa um agravamento de quase 50% face ao mesmo período do ano passado.

A instituição liderada por António Ramalho destaca um resultado recorrente, sem a herança dos ativos maus do antigo Banco Espírito Santo, positivo de 14o milhões de euros, mais 100% que em setembro do ano passado. Já os resultados negativos da conta autónoma onde estão parqueados os ativos problemáticos herdados do Banco Espírito Santo ficaram ainda mais vermelhos a atingiram os 712,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano.

O valor da imparidades e provisões reconhecidas para as perdas nestes ativos acelerou para 546 milhões de euros, face aos 398 milhões de euros registados em igual período do ano passado. Estes números refletem também os resultados da estratégia da venda de ativos ditos não produtivos, com operações de 868 milhões de euros no crédito e de 663 milhões de euros em imóveis. Com a venda destas carteiras a um preço de desconto face ao valor de balanço, o Novo Banco é obrigado a reconhecer logo a desvalorização dos ativos, mas no futuro fica livre de ter de registar mais prejuízos. As perdas relacionadas com a venda de ativos atingiram os 395 milhões de euros.

Outra transação que reduziu a dimensão dos ativos problemáticos foi a venda da seguradora GNB Vida.

O Novo Banco já sinalizou a necessidade de recorrer a mais injeções de capital do Fundo de Resolução no próximo ano quando apresentou os resultados semestrais. Agora o banco diz que até setembro cumpria os rácios de solidez financeira que estão protegidos ao abrigo do mecanismo de capital contingente, mas assumia a necessidade de mais capital. A compensação “dependerá das perdas e custos, das recuperações e das exigências de capital em vigor” no final do ano.

De acordo com uma notícia do Jornal Económico, o Novo Banco deverá pedir mais de 700 milhões de euros ao Fundo de Resolução na sequência das perdas reconhecidas este ano. Este ano, o banco recebeu uma injeção de fundos de mais de mil milhões de euros, uma parte da qual foi financiada com um empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução.

As contas do Novo Banco destacam performance dos ativos classificados como legacy (herança) e que vieram da gestão do antigo Banco Espírito Santo e onde se concentram as operações mais problemáticas ao nível de créditos. E é nesta carteira de ativos que o grupo continua a somar perdas: até setembro foram reconhecidos  546 milhões de euros, dos quais mais de metade — 326 milhões de euros — resultam de provisões e imparidades em créditos — e 225 milhões de euros em outros ativos e contingências.  Apesar destes números, o ativo Legacy do Novo Banco encolheu mais de 50%.

Ao lado do balanço onde está a herança pesada do BES, há outra conta que se refere às operações recorrentes do Novo Banco e onde os números são mais positivos. Para além do crescimento dos resultados, também a margem financeira progrediu 80 milhões de euros para os 361 milhões de euros.

O volume de crédito cresceu 4,5%, com destaque para a habitação — mais 5,5% — e para as empresas — 3,9%, o que “reflete a normalização da atividade”. Na mesma linha, os custos operativos na operação recorrente subiram 1,7%, refletindo “o investimento no negócio e na transformação digital”, para além da manutenção de medidas de controlo de custos.

As receitas de comissões pela prestação dos serviços bancários caíram ligeiramente de 233 milhões de euros para 227 milhões de euros.