A Sport Lisboa e Benfica, SGPS lançou na semana passada uma OPA parcial sobre a SAD do Benfica onde oferece uma contrapartida de cinco euros por cada ação — um prémio de 81,15%, se tivermos em conta a cotação de fecho do dia em que a operação foi anunciada (2,76 euros).

Perante as críticas de que foi alvo, a SAD do Benfica, liderada por Luís Filipe Vieira, vem agora justificar a Oferta Pública de Aquisição num comunicado enviado esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), onde justifica a oferta como “oportuna” e a contrapartida como “justificada”.

“Considera a Benfica SAD que a Oferta, nos moldes em que lhe foi apresentada, é oportuna e a contrapartida é justificada, reunindo as condições adequadas à sua aceitação por parte dos seus destinatários. Como já referido, lembra o Conselho de Administração da Benfica SAD que é crucial que seja dada continuidade à atividade empresarial da Benfica SAD, como os termos da Oferta asseguram, mantendo-se como sociedade emitente de ações admitidas à negociação em mercado regulamentado e assim com dispersão de capital junto do público”, lê-se no comunicado.

Na justificação, a SAD do Benfica diz que a oferta “permite aos acionistas que adquiriram ações da Benfica SAD no decurso da oferta pública de distribuição realizada em 2001, venderem ações de que são titulares a um preço semelhante ao preço nominal a que as mesmas foram então subscritas”, o que lhes dá a “possibilidade de recuperarem o montante investido, caso vendam as referidas ações na oferta”.

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O comunicado prossegue com a justificação sobre o valor de cinco euros por ação, dizendo que a contrapartida é justificada porque é superior à “cotação média ponderada das ações da Benfica SAD no período de seis meses anterior à divulgação do anúncio preliminar da Oferta” e “é superior à cotação intradiária mais elevada das ações da Benfica SAD no período de seis meses anterior à divulgação do anúncio preliminar da Oferta”. Outro dos argumentos levantados é o facto de a oferta em questão possibilitar a continuidade do rumo estratégico do clube e evitar aquilo que entendem poder vir a ser “posições acionistas hostis”.

É nesse sentido que o comunicado esclarece que “não estão previstas quaisquer alterações nos interesses ou na atividade da sociedade visada ou do grupo em que se insere”, estando prevista a “continuidade do rumo estratégico que tem vindo a ser prosseguido” e a “manutenção da atividade empresarial e da equipa de gestão da sociedade”.

Os acionistas que poderão faturar com a OPA do Benfica

Em causa está a OPA que o Benfica lançou na semana passada sobre a SAD com o intuito de comprar os títulos que estão atualmente dispersos por pequenos investidores, oferecendo a muitos deles a oportunidade de venderem as ações adquiridas em 2001 por um valor semelhante ao pago na altura. Com isso, o Benfica propõe-se a adquirir 6.455.434 ações da SAD, de categoria B, por um valor de 5 euros por título. Quer isto dizer que, face ao número de ações objeto da oferta, a OPA anunciada pode levar o Benfica a gastar, no máximo, 32,27 milhões de euros com a operação que pode levar a SAD a controlar a grande maioria do capital.

No leque de grandes acionistas que poderão agora vender as suas ações estão nomes como José António dos Santos, dono da Valouro e o principal acionista individual da SAD do Benfica, que poderá receber cerca de 14,6 milhões de euros se vender a sua participação de 12,7%, o construtor José da Conceição Guilherme, que pode vir a encaixar 4,3 milhões de euros, ou Joaquim Oliveira (que tem 2,66% do capital da SAD) e pode vir a conseguir 3 milhões de euros.

Também o próprio Luís Filipe Vieira, que detém 3,2766% do capital, pode vir a vender as suas ações e encaixar 3,8 milhões de euros. No entanto, há uma cláusula a respeitar: o atual presidente do clube só pode entrar na operação no final do seu mandato, e não durante o tempo em que exercer aquelas funções. Mas tem já garantido o preço de venda: cinco euros por ação.