O “julgamento” de Donald Trump no inquérito para a destituição do Presidente dos EUA será a prioridade do Senado em 2020, caso o processo de impeachment seja aprovado na Câmara de Representantes, disse esta quarta-feira o líder dos senadores Republicanos.

O Comité Judiciário da Câmara de Representantes reunirá esta quarta-feira à noite para debater as duas acusações no inquérito de destituição de Donald Trump, acusado de abuso de poder e de obstrução ao Congresso, depois de ter sido investigado por pressionar o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, a investigar Joe Biden, seu rival político.

Democratas apresentam dois artigos de impeachment esta terça-feira

Se o Comité Judiciário aprovar estes artigos para destituição, estes serão levados a votação geral na Câmara de Representantes, dominada pelos Democratas, onde uma provável maioria simples conduzirá o processo para o Senado, que se constituirá como uma espécie de tribunal para aferir se o Presidente deve ser demitido. No entanto, só uma maioria de 2/3 no Senado obrigará a uma demissão de Donald Trump — serão precisos 60 votos em 100 e os Republicanos controlam 53 dos lugares e já se mostraram leais ao Presidente e dispostos a rejeitar as pretensões do Partido Democrata.

“Um julgamento no Senado será a nossa prioridade, logo em janeiro”, anunciou esta quarta-feira o líder da câmara alta do Congresso, Mitch McConnell, que aproveitou para criticar os Democratas por estarem tão apressados no processo de impeachment, apresentando a “acusação menos meticulosa e a mais injusta da história moderna”.

Se a Câmara (de Representantes) continuar neste rumo destrutivo e nos enviar os artigos para destituição, o Senado irá estudá-los no início do ano e procederá a um julgamento justo”, concluir Mitch McConnelll.

Os Democratas abriram uma investigação de impeachment no início de outubro, depois de um denunciante ter revelado que Donald Trump tinha pedido ao Presidente ucraniano para investigar a atividade de Hunter Biden — filho de Joe Biden, ex-vice-Presidente e atual rival político do Presidente — junto de uma empresa da Ucrânia suspeita de corrupção, condicionando ajuda financeira ao anúncio dessa investigação.

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Após dois meses de inquérito, os Democratas redigiram dois artigos para destituição, acusando o Presidente de abusar do exercício do cargo e de obstruir o inquérito do Congresso.