Quatro redes intermunicipais de bibliotecas das regiões norte, centro e sul vão receber um apoio de 443 mil euros para melhorarem os serviços de 40 bibliotecas e procurarem novos públicos, revelou esta sexta-feira o Ministério da Cultura.

O investimento vai abranger projetos em bibliotecas afetas às redes intermunicipais do Cávado (Minho), Alentejo Central, Lezíria do Tejo e Médio Tejo e os contratos-programa, aprovados em outubro, são assinados esta sexta-feira com a Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), em Lisboa.

A verba a investir naquelas bibliotecas, até 2021, insere-se no Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Serviços de Bibliotecas Públicas (PADES), criado pela tutela da Cultura para capacitar e modernizar equipamentos da rede nacional.

É dada prioridade a “regiões com menos cobertura de bibliotecas públicas”, em “territórios mais periféricos” e com níveis de desempenho “mais frágeis”.

Das quatro redes intermunicipais a apoiar, a maior fatia financeira — 204 mil euros — será para o Alentejo Central, para por em prática o projeto “Ler e Crescer em Família” que prevê, entre outros objetivos, promover a literacia na comunidade local e renovar as coleções das bibliotecas.

A rede de bibliotecas da Lezíria do Tejo será contemplada com 115 mil euros para executar o projeto “BiblioTICS”, para formação de técnicos em literacia digital, enquanto a rede do Médio Tejo receberá 109 mil euros para o projeto “CIA: Cidadania Informada e Ativa”, também para promover competências digitais na população local.

Os restantes 15 mil euros de investimento serão para a criação de uma plataforma digital que disponibilize online livros e periódicos das bibliotecas municipais do Vale do Cávado.

O programa PADES foi criado em 2018 como resposta à necessidade de modernização da rede nacional de bibliotecas públicas, fundada em 1987, na altura, para dotar todos os municípios portugueses de uma biblioteca de âmbito público.

Verifica-se, passados mais de 30 anos, a necessidade de capacitar e modernizar algumas dessas bibliotecas. Muitas, apesar de disporem de instalações adequadas, carecem agora de reforço de investimento”, lê-se na nota de imprensa.

De acordo com informação da DGLAB, no âmbito do programa PADES foram já criadas 13 redes intermunicipais de bibliotecas. Os dados mais recentes indicam que em Portugal existem 303 bibliotecas municipais, com valências gratuitas para os utilizadores, mas ainda há cinco municípios que não dispõem destes equipamentos: Alzejur, Marvão, Terras de Bouro, Vila Viçosa e Calheta (São Jorge, Açores). A maioria das 303 bibliotecas integra a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP).

Em novembro passado, no encontro nacional da RNBP, em Leiria, o diretor de serviços de bibliotecas, Bruno Duarte Eiras, saiu em defesa de investimento nas bibliotecas públicas.

Somos uma peça-chave, ainda que às vezes não nos reconheçam esse papel, para constituir e fortalecer comunidades”, defendeu, em declarações à agência Lusa, lembrando que as bibliotecas públicas são “dos últimos, senão o último, espaço público gratuito em Portugal”, algo que “hoje seria proibido criar”.

Na assinatura dos contratos-programa, esta sexta-feira em Lisboa, estarão a ministra da Cultura, Graça Fonseca, a secretária de Estado da Inovação e Modernização Administrativa, Maria de Fátima Fonseca, o diretor-geral da DGLAB, Silvestre Lacerda, e os responsáveis das regiões abrangidas.