A agência Fitch poderá melhorar o rating de Portugal este ano, após os avanços alcançados pelo país nas finanças públicas e na expectativa de que a trajetória de redução da dívida pública será mantida no médio prazo.

Segundo o analista da Fitch Michele Napolitano, que falava esta quinta-feira numa conferência da agência de notação financeira em Lisboa, o outlook (perspetiva) positivo considera uma estimativa da agência de que o PIB português irá crescer este ano 1,7% (depois do crescimento estimado de 1,9% em 2019) devido à moderação do consumo privado.

A Fitch avalia atualmente a dívida pública de Portugal em “BBB”, o segundo nível de grau de investimento, com o outlook positivo e tem agendada para maio a próxima ação de rating para Portugal.

Pela positiva, a Fitch destaca o compromisso de excedente orçamental assumido pelo executivo, um aspeto, de acordo com Michele Napolitano, “muito positivo” para a avaliação do rating do país.

Entre os riscos a considerar, o analista refere que o abrandamento da economia externa poderá penalizar o país e, consequentemente, as contas públicas. A pressão sobre o setor financeiro também se mantém como um fator de risco, com a Fitch atenta a qualquer situação que possa provocar instabilidade no setor e penalizar o rating do país.

Em novembro, numa reação à manutenção pela Fitch do rating de Portugal com perspetiva positiva, o Ministério das Finanças destacou que a decisão antecipa futuras subidas de rating.

O ministério liderado por Mário Centeno referiu, a propósito, que “a agência Fitch destaca como pontos fortes da economia portuguesa, em comparação com outras economias com a mesma notação, a manutenção da estabilidade política e institucional, e o maior nível de rendimento per capita‘”, reiterando também “a confiança nas opções de política económica e orçamental do Governo”.

No documento, as Finanças frisaram igualmente que, no que respeita à orientação das finanças públicas, “a Fitch acompanha as perspetivas do Governo para o saldo orçamental”, para a “redução sustentada do rácio da dívida pública e uma estratégia de gestão da dívida prudente”, que passa pelo alargamento da maturidade média dos títulos de dívida, pela diversificação da base de investidores e “manutenção de uma almofada de liquidez adequada”. O ministério apontou também, na altura, que a Fitch destacou “a robustez do sistema bancário, onde existiram avanços significativos na redução do rácio de crédito malparado, identificando riscos limitados para a estabilidade financeira”.

Antes, em 4 de outubro, Mário Centeno referiu, em declarações à Lusa, que o rating de Portugal podia em breve passar para níveis mais elevados. Naquela data, a DBRS melhorou o rating da dívida soberana de Portugal de BBB para BBB alto, com perspetiva estável.

Em 13 de setembro, a agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) reviu de estável para positiva a sua perspetiva sobre o rating de Portugal, mantendo a avaliação da dívida portuguesa em BBB.

Em 9 de agosto, a agência Moody’s tinha subido igualmente a perspetiva da dívida pública portuguesa, de estável para positiva, mantendo o rating em Baa3, um nível acima do lixo.

O rating é uma classificação atribuída pelas agências de notação financeira que avalia o risco de crédito (capacidade de pagar a dívida) de um emissor, que pode ser um país ou uma empresa. Cada agência de rating tem a sua própria escala de avaliação, mas em todas a melhor classificação é o triplo A (AAA) e as letras C ou D indicam avaliações em que o investimento é considerado de risco ou especulativo (vulgarmente designado lixo).