O antigo bailarino Hugo Martins, que em 2017 assumiu a direção artística do Cirque du Soleil, é o novo responsável pela área de criação e produção de espetáculos do Chapitô, disse esta sexta-feira à agência Lusa fonte da instituição.

Hugo Martins junta-se a Teresa Ricou na direção artística da criação de espetáculos do Chapitô, que passa a ter a designação de Chapitô, Espetáculos e Eventos, disse o próprio à Lusa.

Para o antigo diretor artístico do espetáculo “Toruk”, do Cirque du Soleil, função semelhante à que já havia assumido antes na Companhia Cavalia, é um “privilégio enorme” e um “grande desafio” juntar-se a Teresa Ricou na direção artística “desta instituição gigantesca e super importante que é o Chapitô”. Uma instituição que já leva 40 anos de existência e que, no seu entender, só existe devido “à coragem e perseverança de Teresa Ricou”.

O antigo bailarino, que também já foi piloto, sublinhou o facto de se tratar de uma instituição com várias valências – uma mais voltada para a ação social, outra mais de formação, com a escola de circo e de artes performativas, e outra relacionada com os espetáculos e eventos que se pretende que entrem num “novo ciclo” e ganhem “um novo fôlego.

Questionado sobre que tipo de espetáculos pretende levar para o Chapitô, com sede na Costa do Castelo, em Lisboa, Hugo Martins disse que não irá fugir do “ADN da instituição, que é o ADN circense”, embora pretenda que haja permeabilidade para outras áreas”.

Ou seja, produzirmos e investirmos sempre numa lógica multidisciplinar, continuarmos com força nos eventos corporativos, mas começarmos aqui a desenvolver também espetáculos e produções próprias, um bocadinho como o tipo de espetáculo que tive oportunidade de trabalhar, seja em Cavalia seja no Soleil, nesta perspetiva multidisciplinar mas sempre com esta identidade básica que dá o ADN ao Chapitô que é a parte circense”, observou.

Hugo Martins sublinhou a importância da “lógica de economia social e economia solidária” do Chapitô, o que faz que ao trabalhar lá se veja “como uma espécie de Robin Wood do século XXI”.

O fluxo financeiro proveniente da produção de espetáculos, de eventos, mas também da restauração é reinvestido, na totalidade, na vertente social, na capacitação de jovens, de projetos de vida e na inclusão social de jovens. “O mais interessante deste projeto é as artes performativas e as artes circenses estarem ao serviço da inclusão social e da responsabilização social”, enfatizou.

À pergunta se pretende pôr em prática projetos semelhantes ao que dirigiu no Cirque du Soleil, Hugo Martins admitiu ser algo “que defende há perto de 25 anos, desde que está ligado à produção, gestão e direção artística”. “Não existem razões para não se ambicionar e para não se apontar para este tipo de qualidade face ao talento que existe em Portugal, seja em termos de performance, de criativos ou de conhecimento técnico que é sobejamente suficiente”, disse.

Admitindo, no entanto, que o mercado português é “mais pequeno para produções tão ambiciosas”, Hugo Martins considerou que “não há que ter medo de apontar para esse tipo de qualidade nem para esse tipo de ambição”. “Existe um mundo inteiro que pode ser o nosso mercado”, ressalvou, sustentando que esse tipo de produções obriga a carreiras prolongadas no tempo face aos elevados custos de produção. “Não temos de olhar para o nosso target só como este cantinho. Devemos olhar na perspetiva da internacionalização”, declarou, acrescentando: “Acho que é só preciso sonhar, saber fazer as coisas e planear as coisas com pés e cabeça, e chegar com planos com pés e cabeça aos investidores certos e levar a qualidade de Portugal ao resto do mundo”.

Hugo Martins foi piloto da TAP, mas trocou a profissão pela dança, que exerceu durante 13 anos. Em junho de 2017, assumiu a direção artístico do espetáculo “Toruk”, do Cirque du Soleil, cargo que exerceu até 2018. “Um grande desafio”, como revelou na altura à agência Lusa, dias antes de partir para o Canadá para assumir as novas funções.

Hugo Martins nasceu em Lisboa, tem 44 anos e além de ter participado em teatro musical, foi fundador e diretor-geral da companhia Lisboa Ballet Contemporâneo e da plataforma Lisboa Metropolitan Arts. Foi ainda atleta de alta competição em ginástica artística, tendo participado em campeonatos da Europa e do Mundo.