Continua a guerra de palavras, comunicados, entrevistas e conferências de imprensa entre a Direção do Sporting, encabeçada por Frederico Varandas, e a Direção da mais antiga e maior claque do clube, a Juventude Leonina. Esta quinta-feira, através de um comunicado publicado na conta oficial deste Grupo Organizado de Adeptos na plataforma Instagram, a Direção da claque anunciou uma conferência de imprensa para o próximo sábado, 15 de fevereiro, às 12h.

No comunicado oficial assinado pela Direção da claque, a Juventude Leonina refere que a marcação da conferência de imprensa, que decorrerá na “sede/casinha” da Juve Leo, junto ao Estádio José Alvalade, deve-se “às situações que têm ocorrido nos últimos meses”. Os líderes da claque prometem ainda “de uma vez por todas, esclarecer e informar a opinião pública” sobre a tensão que tem existido entre o grupo e a Direção de Frederico Varandas.

Esta segunda-feira, 10 de fevereiro, em entrevista à TVI, o presidente do Sporting fizera fortes acusações à claque leonina. Além de dizer que o golo do Portimonense ao Sporting, no jogo anterior, tinha sido festejado no setor da claque verde e branca — “Temos uma claque que deseja que o Sporting perca”, disse mesmo —, acusou a Direção da Juventude Leonina de viver às custas do clube e de se julgar “acima dos estatutos, presidentes e mandatos”.

Na entrevista à TVI, Varandas referiu-se ainda às alegadas agressões a Miguel Afonso, membro da sua Direção, junto ao Multidesportivo do Sporting: “Já vi as imagens. Não foi um incidente menor, foi algo premeditado”. E acrescentou que os autores das agressões foram “dois elementos da Juve Leo, cujas caras se conseguem identificar”. De seguida, lançou um desafio ao núcleo duro da claque: “Pergunto: o que é a Juventude Leonina? Apresentem-se. Quem é a Direção da Juventude Leonina? O presidente está detido, quem são os outros? Os vices, os vogais. Vivem de quê? Apresentem-se aos sócios, apresentem-se ao país”.

O clima entre a Direção do Sporting e a claque Juventude Leonina tem sido tenso ao longo dos últimos meses. A contestação começou a subir após uma série de maus resultados esta temporada — como a derrota por 0-5 na Supertaça, a eliminação da equipa da Taça de Portugal, frente ao Alverca, ou a distância a que ficou muito cedo da liderança do campeonato. Em outubro, depois de “pressão” feita por elementos das claques a Frederico Varandas e a elementos próximos do presidente no Pavilhão João Rocha — que terão culminado em “tentativas de agressões físicas a dirigentes e outros adeptos do Sporting Clube de Portugal”, segundo a Direção dos leões —, o Sporting decidiu rescindir os protocolos que mantinha com a Juventude Leonina e Directivo XXI, as duas maiores claques do clube.

No comunicado em que anunciou o fim do protocolo que reconhecia a Juventude Leonina e Directivo XXI como claques oficiais do Sporting, a Direção de Frederico Varandas dizia ser “altura de dizer basta” a “comportamentos violentos” e acrescentava: “Se [a claque] é usada para outros fins, se ameaça sócios nos estádios, recintos e assembleias gerais, se usa a violência física ou verbal contra atletas, treinadores, técnicos, dirigentes e outros sócios, se essa violência é gratuita ou patrocinada, se essa violência é espontânea ou instigada, se acha que está acima dos outros sócios, se ataca e desvaloriza o clube e o seu bom nome, se causa prejuízos de milhões de euros ao clube, se faz com que o clube pague centenas de milhares de euros em multas, se é notícia pelos piores motivos, se nem sequer apoia o Sporting Clube de Portugal, se faz com que os atletas sintam que ‘jogamos sempre fora’, então não está a servir o Sporting Clube de Portugal, então não está a desempenhar a função para que foi criada”.