O Presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu esta sexta-feira que tem o direito de interferir num processo judicial, mas que até agora decidiu não o fazer, a propósito da redução de pena de um seu antigo consultor.

Roger Stone, ex-consultor de Trump, tinha sido condenado a uma pena de entre sete e nove anos de prisão, por mentir aos procuradores que investigaram a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, mas o Departamento de Justiça reduziu a pena, em nome dos “interesses da justiça”, após o Presidente ter lamentado a dureza da sentença.

O Procurador Geral, William Barr, disse na quinta-feira que os comentários presidenciais, feitos através da conta pessoal de Trump na rede social Twitter, não tiveram qualquer impacto sobre a decisão de redução da pena, tomada pela sua equipa. Barr aproveitou para pedir a Donald Trump para evitar aquele género de comentários no Twitter, dizendo que eles tornam o seu trabalho “impossível”, mas assegurou que não foi alvo de qualquer pressão.

O Presidente nunca me pediu para intervir de qualquer forma num caso criminal”, disse o Procurador Geral, que responde hierarquicamente perante a Casa Branca.

Trump usou esta frase num novo “tweet”, esta sexta-feira de manhã, mas assinalou que considera ter o direito de interferência nos processos judiciais.

Isto não significa que eu não tenha, como Presidente, o direito legal de o fazer (interferir nos processos). Eu tenho-o, mas até agora tenho decidido não o fazer“, escreveu Trump na sua conta pessoal de Twitter.

Roger Stone foi consultor de Donald Trump, antes e durante a sua campanha presidencial, tendo sido condenado, em novembro passado, por ter mentido ao Congresso e por ter manietado uma testemunha da investigação à interferência russa nas eleições de 2016.

Os quatro procuradores responsáveis pelo processo pediram uma pena de prisão de entre sete e nove anos, mas o Departamento de Justiça considerou que a acusação deve pedir uma pena muito mais leve, em nome de “interesses da justiça”.

A sentença deverá ser anunciada em 20 de fevereiro, por um juiz federal.