Não se pode dizer que fosse uma eleição difícil de ganhar: com um universo votante de apenas cinco deputados, contanto com o próprio, Telmo Correia foi esta tarde formalmente eleito líder parlamentar do CDS. Sem votos contra, nem brancos ou nulos, foi escolhido por “unanimidade” para substituir Cecília Meireles que, depois do rombo eleitoral do CDS, tinha ficado a segurar as pontas enquanto o partido decidia a sucessão de Assunção Cristas. O partido decidiu, Francisco Rodrigues dos Santos ganhou, e Cecília Meireles anunciou que sairia da liderança da bancada (mas não abdicaria do lugar no Parlamento).

É assim que Telmo Correia se torna a “escolha natural”, segundo o próprio, na medida em que é o que tem maior experiência parlamentar (é deputado há sete legislaturas), tendo até já exercido aquelas funções de liderança entre 2002 e 2005 e novamente em 2007. Numa declaração aos jornalistas depois da eleição formal, admitiu que o mandato que se prepara para assumir é “mais difícil” do que os anteriores em que exerceu as mesmas funções, não só pela reduzida dimensão da bancada como pela “concorrência” que tem à direita.

“Ouvida a opinião dos deputados, houve entendimento de que eu seria a pessoa mais adequada para assumir a função. Procurei fazer o melhor pelo CDS. E espero estar à altura do desafio que, apesar de o conhecer e não ser novo para mim, tenho noção de que este momento e esta circunstancia é mais difícil não só pela dimensão do grupo parlamentar, como pela concorrência que existe em termos parlamentares”, disse, acrescentando que a saída de Cecília Meireles foi “opção” e “vontade” dela, e não por “não ter a confiança dos deputados” ou até “da própria direção do partido”.

Questionado sobre se antevê uma relação turbulenta com a presidência do partido, Telmo Correia recusou antecipar cenários negativos quando o mandato ainda nem começou, e remeteu para as declarações de Francisco Rodrigues dos Santos proferidas esta manhã. À saída de um encontro com uma delegação do PS para apresentação de cumprimentos, o recém-eleito presidente centrista realçou que a bancada tem autonomia total para a escolha do líder e afirmou que “qualquer escolha mereceria da parte da direção do partido um total apoio e uma confiança absoluta e inabalável”.

“Diálogo” é a palavra de ordem para Telmo Correia. “A estratégia global é só uma, vamos dialogar”, disse, recusando “antecipar turbulência”. A verdade é que nenhum dos cinco atuais deputados do CDS esteve ao lado de Francisco Rodrigues dos Santos na corrida à liderança do CDS, tendo estado todos precisamente ao lado de João Almeida que é, de resto, um dos deputados da bancada centrista.

Vice-presidente de Chicão exonerado do grupo parlamentar

Com a saída de Cecília Meireles da liderança, quem também sai é António Carlos Monteiro, que tinha sido nomeado chefe de gabinete do grupo parlamentar quando Cecília assumiu as rédeas da bancada. Acontece que, no congresso de janeiro, António Carlos Monteiro foi acusado de “mentir” por João Almeida. António Carlos Monteiro, ex-deputado, apoiava João Almeida na corrida mas aceitou depois o lugar de vice-presidente na nova direção tendo dito aos jornalistas que o convite tinha sido feito na presença de João Almeida.

O tema animou o congresso, com João Almeida a dizer que era “mentira” que o convite tivesse sido feito na sua presença e a acrescentar que não era por um até então apoiante seu integrar a nova direção centrista que isso podia ser lido como um sinal de integração das duas correntes. Foi com este cenário em pano de fundo que alguns centristas interpretaram a exoneração de António Carlos Monteiro do gabinete do grupo parlamentar, embora Cecília Meireles confirme ao Observador que a escolha do chefe de gabinete é uma escolha do líder e, portanto, é natural que caia com a queda do líder.

António Carlos Monteiro confirma ao Observador que saiu do grupo parlamentar esta segunda-feira, véspera da mudança de liderança, uma vez que o acordo “desde o início” era que o seu mandato terminaria quando terminasse o mandato da líder parlamentar.

Telmo Correia, de resto, já fez a sua escolha para o cargo. Trata-se de Otília Gomes, atualmente assessora do grupo parlamentar que chegou a exercer funções de deputada em regime de substituição há duas legislaturas, pelo círculo de Braga (o mesmo de Telmo Correia), e que coordenou nos bastidores o processo de elaboração das propostas de alteração na última discussão do Orçamento do Estado. Segundo confirmou o agora líder parlamentar ao Observador, trata-se de uma solução interna e de uma escolha da sua “confiança pessoal”.