Sobre a marcação da grande penalidade, quase ninguém protestou. Wilson Manafá ainda fez que não com o dedo, Mbemba que estava ali por perto levantou os braços mas ninguém tinha dúvidas da falta clara do lateral direito sobre Volland, que ganhou a frente após rodar e quase que esperou pelo contacto. Marchesín defendeu o remate de pé esquerdo de Havertz, o FC Porto saiu rápido para o ataque, Marega até ficou a queixar-se com razão de uma falta de Tapsoba descaído na direita mas perto da área. Afinal, o encontro estava já parado.

Por indicação do VAR, o esloveno Slavko Vincic tinha mandado repetir o penálti, por seguir as indicações do vídeo-árbitro que apontavam para uma irregularidade de Marchesín na altura da conversão. O argentino protestou muito, Alex Telles também se juntou, outros não deixariam também passar a situação em claro – que foi assinalada por um ligeiro passo para a frente que colocou o guarda-redes com os dois pés fora da linha. À segunda, Havertz não perdoou mas o golo de Luis Díaz no seguimento de um livre lateral de Alex Telles acabou por não evitar a derrota mas deixou a eliminatória em aberto, à semelhança do que aconteceu por exemplo nos oitavos da última edição da Liga dos Campeões, frente aos italianos da Roma que foram eliminados no Dragão após prolongamento.

“Entrámos muito bem na segunda parte, eles não tinham chegado à baliza. Foi um penálti que nasceu de uma bola longa, com má abordagem. A repetição do penálti? Ainda não tive a oportunidade de ver, não sei se é por o Marchesín não estar na linha, não sei se o atacante [Havertz] não parou antes de bater a bola. Não me lembro de terem mandado repetir um penálti por causa disso. Ainda não vi a repetição do lance. A equipa teve personalidade e caráter, podíamos ter sido mais felizes e eficazes e saíamos daqui com outro resultado”, referiu Sérgio Conceição no final do encontro, ainda na zona das entrevistas rápidas.

“Está tudo em aberto. No ano passado tivemos uma eliminatória com a Roma na Liga dos Campeões em que perdemos 2-1 fora e depois ganhámos 3-1, mas a seguir a um jogo difícil. Deu para ver a valia desta equipa [Bayer Leverkusen], que veio da Liga dos Campeões, que fez um resultado interessante frente ao Atlético de Madrid e uma boa exibição com a Juventus. Vieram da Champions, como nós também somos”, acrescentou, num dado que ganha outra expressão em termos históricos: nas seis ocasiões em que perdeu a primeira mão de uma eliminatória na Europa por 2-1, os azuis e brancos conseguiram seguir em frente na prova em quatro ocasiões.

“Acho que foi um jogo onde não houve muitas oportunidades claras de golo. Na primeira parte, a nível defensivo estávamos com algum à vontade, em profundidade ou na largura eles criavam dificuldades. Puxámos o Corona para dentro para limitar a entrada do médio. A equipa melhorou na segunda parte, na primeira faltou ter mais bola. Na segunda parte houve outra dinâmica em termos de processo ofensivo, tivemos algumas situações até no último terço em que podíamos ter feito melhor. Depois numa ou outra situação de falta, onde somos perigosos, foi num livre que surgiu o nosso golo. Infelizmente não deu para fazer mais golos mas temos o próximo jogo no Dragão para retificar este resultado”, salientou numa análise ao jogo, explicando ainda a entrada de Danilo no último quarto de hora: “Não foi uma questão de segurar o resultado mas sim de estabilizar o meio-campo”.