Uma entrada palaciana, com marqueses e condessas a receberem os visitantes, marca o início de uma espécie de viagem ao século XVIII, para festejar o Carnaval como se fazia na altura, num local da época.

O Palácio dos Marqueses, em Oeiras, organizou este ano, pela segunda vez, uma celebração do Carnaval que se destaca pela diferença em relação aos que costumam ser de sol e samba.

As fantasias são trajes palacianos dos anos de 1700, o espaço é um palácio com jardins onde tudo lembra a época dos reis do Antigo Regime, e as atividades passam por bailes barrocos ou provas de doçaria associada ao século XVIII.

Esta ideia surgiu no ano passado e foi uma iniciativa dos funcionários da câmara do departamento de cultura”, explicou à Lusa o diretor municipal de Educação, Desenvolvimento Social e Cultural da Câmara Municipal de Oeiras, Jorge Barreto Xavier.

Os funcionários sugeriram “que se fizesse uma encenação do Carnaval no palácio Marquês de Pombal, que é um palácio do século XVIII e, por isso, a programação está muito associada ao século XVIII, à música do século XVIII, às danças do século XVIII e ao Carnaval no século XVIII”, referiu.

A iniciativa dura dois dias e, este ano, por ser um fim de semana cheio de sol, os jardins encheram-se de curiosos e crianças, muitos dos quais aproveitaram para se vestir como se estivessem na corte.

“O Carnaval é um espaço onde as pessoas podem mostrar aquilo que são, mas que não gostam de mostrar todos os dias, ou inventar-se de outra forma – por isso há aqui muita gente mascarada. É um momento de folia, mas também de realização pessoal e das famílias”, explicou Jorge Barreto Xavier, adiantando considerar que a população “está a gostar”.

Entre os recantos do palácio, onde há salões de chá para prova de gastronomia alusiva à época, salas onde decorrem ateliers de máscaras ou de leitura, passeiam várias pessoas mascaradas, mas sobretudo curiosas por conhecer o espaço.

Mas são os jardins à volta que reúnem mais pessoas, sobretudo por haver jogos para crianças, em vários pontos, e por se aproximar um dos momentos altos da edição “Carnaval no Palácio” deste ano: o baile barroco.

“Vai começar agora um espetáculo de dança barroca numa tenda que montámos no jardim para o efeito”, avisou o diretor cultural da câmara.

E é nessa tenda que se juntam várias centenas de pessoas para verem uma dezena de bailarinos, vestidos e maquilhados a rigor, a dançar como se dançava nos palácios no século XVIII, sob três candelabros brilhantes e ladeados por uma fonte antiga chamada Cascata da Fonte do Ouro.

Segundo Jorge Barreto Xavier, a edição do “Carnaval no Palácio” deverá somar cerca de quatro mil visitantes nos dois dias, número que o responsável considera ideal para o evento.

“Não queremos também que passem a estar aqui 50 mil pessoas, porque se torna um evento tão massivo que ninguém aproveita nada. A escala que tem neste momento está a funcionar muito bem”, assegurou.

Apesar do otimismo mostrado com a forma como a iniciativa tem decorrido, Jorge Barreto Xavier não espera tornar este Carnaval num ícone nacional.

Embora admita tratar-se de uma festa “num lugar único”, a ideia “não é competir com ninguém”, adiantou o diretor da área cultural da câmara de Oeiras, ex-secretário de Estado da Cultura, professor e investigador do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, e que também já foi vereador do município.

“Aquilo que aqui oferecemos é uma oportunidade para quem nos visita e para os munícipes, mas não é para competir com ninguém”, concluiu.

O Palácio Marquês de Pombal e os seus jardins constituem monumento nacional e fazem parte da antiga quinta de recreio da família Carvalho, conhecida sobretudo pelo seu membro Sebastião José de Carvalho e Melo, ou seja, o marquês de Pombal.