A mobilidade zero emissões vai ganhando uma crescente importância, sobretudo em meio urbano, fruto de haverem cada vez mais cidades a adoptar medidas para banir os veículos com motor a combustão. Depois, porque também os pequenos veículos do segmento A podem dar o seu contributo para baixar a média de emissões de CO2 dos fabricantes, se trocarem as mecânicas convencionais por motores eléctricos. É o que acaba de acontecer ao Renault Twingo, que vai estrear em Genebra o badge ZE (de Zero Emissions), passando assim a militar ao lado do Zoe, do quadriciclo Twizy e dos comerciais Kangoo e Master ZE.

O sétimo membro da família eléctrica gaulesa – a Renault comercializa mais dois BEV, um na China (City K-ZE) e outro na Coreia do Sul (SM3 Z.E.) – não impressiona pela autonomia anunciada, que é de 180 km em ciclo misto, no ciclo europeu de homologação WLTP. Isto porque, embora consiga melhorar a fasquia do Smart EQ ForFour (129 km), com quem partilha a base e a mecânica, acaba por ficar aquém de rivais deste mesmo segmento, como é o caso do renovado Volkswagen e-up! e seus correspondentes checo (Skoda Citigoe iV) e espanhol (Seat Mii electric) – um trio com uma autonomia de 261 km em WLTP, fruto de montarem um pack de bateria com 36,8 kWh de capacidade (32,3 úteis).

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A Renault foi menos ambiciosa para o Twingo ZE e equipa-o com um acumulador de 22 kWh, (21,3 kWh de capacidade útil), uma opção que talvez possa ser explicada pelo facto de, ao contrário dos concorrentes do Grupo Volkswagen, partir de uma base com algumas limitações. Recorde-se que, originalmente, o Twingo monta a mecânica atrás, o que pode ter obrigado a Renault a algumas concessões na disposição dos oito módulos células de iões de lítio (165 kg). Porém, nesta sua nova encarnação, o “rei dos citadinos” – é assim que a marca o apresenta – garante que no seu habitat natural, a cidade, consegue fazer 250 km.

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A locomovê-lo está um motor de 60 kW (82 cv) que, apesar de ter a mesma potência dos seus rivais, acusa menos “força”, ao anunciar um binário máximo de 160 Nm (contra 212 Nm). Contudo, em termos de prestações, faz jogo igual: é capaz de acelerar de 0 a 50 km/h em 4 segundos.

A tampa que antes se abria para aceder ao bocal do depósito para atestar de gasolina esconde agora o ponto de carga. O Twingo ZE usa um cabo Mennekes de tipo 2 aceita até 22 kW de potência num posto de carga trifásico com 32A, circunstância em que bastam 63 minutos para que o acumulador fique a 80%. Ou seja, o citadino fica pronto para percorrer mais 144 km. Pode consultar as especificações técnicas aqui.

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Entre as novidades mais surpreendentes introduzidas por esta versão, o destaque vai para a possibilidade de escolher entre três sons para alertar os peões, sempre que o veículo rola a uma velocidade inferior a 30 km/h. Uma obrigatoriedade que a Renault (inteligentemente) aproveitou para incutir no utilizador a sensação de “escolha”, pois nos demais BEV presentes no mercado não há direito a opção.  A personalização é, de resto, outro dos pontos fortes do novo citadino a bateria, por via de packs, numa tentativa de apelar a um público mais jovem. E este vai encontrar um habitáculo com um ambiente muito tech, fruto sobretudo do ecrã central sensível ao toque com sete polegadas, logo a partir do nível de equipamento Zen. A versão mais avançada desta central de informação e de entretenimento dá pelo nome de Easy Connect e, entre outras funções, permite localizar os pontos de carregamento mais próximos. Sem esquecer, claro, o Apple CarPlay e o Android Auto, além de ser possível fazer pesquisas via Google.

Igualmente interessante é o facto de a bagageira ter crescido face à versão com motor térmico. Reclama agora 240 litros de capacidade, mais 21 do que a congénere fóssil, e com o rebatimento das costas dos bancos da segunda fila podem ser acomodados objectos com até 2,31 metros de comprimento.

Os preços não foram ainda anunciados, mas sabe-se desde já que a chegada ao mercado ocorrerá no decurso do ano. Provavelmente não será necessário esperar muito depois de o Twingo ZE fazer a sua estreia pública no Salão de Genebra, no início de Março.