Morreu Laura Ferreira, a mulher de Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro. Ao que o Observador apurou, Laura Ferreira, 54 anos, morreu durante esta noite no IPO de Lisboa, depois de o seu estado de saúde se ter agravado consideravelmente durante o fim de semana. O velório realiza-se amanhã, às 19h00, no Centro Funerário de Cascais, em Alcabideche.

Há cerca de 5 anos, a fisioterapeuta foi diagnosticada com um tumor ósseo que acabaria por chegar aos pulmões. Em dezembro, apesar de o quadro clínico já inspirar grandes cuidados, foi autorizado a Laura Ferreira deixar o Instituto Português de Oncologia, onde estava internada, para passar o Natal em casa com o marido e as duas filhas, Teresa, de 24 anos, e Júlia, de 12. Dias antes, Laura Ferreira tinha sido transferida do Hospital Amadora-Sintra, onde sempre foi acompanhada, para o IPO de Lisboa.

Há cerca de dois anos, depois de se pensar que a doença tinha sido controlada, o cancro voltou. Inicialmente foi-lhe diagnosticado um tumor ósseo agressivo num joelho e, em 2017, novos exames mostraram que se tinha alastrado aos pulmões.

Desde então, que a saúde de Laura Ferreira estava cada vez mais frágil.

“Tenho muito medo de morrer, mas depois há um lado que se levanta e diz: ‘Não, tens o teu marido, tens as tuas filhas e a tua família!’ Eu tenho de viver, tenho tanta coisa para fazer”, escreveu Laura Ferreira na biografia do antigo líder do PSD, publicada em 2015.

Primeiro diagnóstico foi no verão de 2014

Na biografia autorizada de Pedro Passos Coelho, a autora, Sofia Aureliano, dedica todo um capítulo à mulher do então primeiro-ministro e líder do PSD. Ali conta como o casal recebeu a notícia da doença.

“No verão de 2014, Laura sofreu uma lesão de trabalho, que não passou como devia. Os meses foram correndo e a mobilidade foi ficando limitada, cimentando-se a suspeita de que podia ser algo mais sério. Confirmou-se o pior cenário. Foi-lhe diagnosticado um osteossarcoma, um tumor ósseo agressivo que a forçou, e força ainda, a várias sessões de quimioterapia pré e pós operatória”, lê-se no livro “Somos o que Escolhemos Ser”, publicado em maio de 2015.

[José Manuel Fernandes lembra a força que Laura Ferreira demonstrou em todo o processo e como foi importante no apoio a Pedro Passos Coelho. Pode ouvir aqui]

Em fevereiro de 2015, Laura Ferreira foi operada pela primeira vez para remoção do tumor no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Pedro Passos Coelho, apesar da agenda apertada de primeiro-ministro, estava sempre por perto durante os internamentos, contava Laura no livro, “venha de onde vier”. “Depois vai para casa para jantar com as filhas. (…) Este é o coração mole por detrás da casca dura”, resumia a mulher de Passos Coelho.

Esse coração foi o que levou Laura a apaixonar-se “perdidamente”, depois de um divórcio e de uma filha, aos 38 anos. Quatro anos depois, tinha Laura 42 anos, nascia Júlia, a filha do casal. No capítulo dedicado à sua mulher, “Laura, o Porto Seguro”, o antigo primeiro-ministro refere que ambos tinham “uma relação muito íntima e muito forte.”

Laura Maria Garcês Ferreira nasceu em Bissau, viveu no Mindelo e em Coimbra. Casou-se com Passos Coelho em 2004.

Em 2014, Passos Coelho, acompanhado por Laura Ferreira, durante a sessão de encerramento do XIII Congresso Nacional dos TSD – Trabalhadores Social Democratas realizada no Pavilhão Desportivo.

Marcelo fala de “traço de humanidade”, PSD recorda “figura muito acarinhada”

Marcelo Rebelo de Sousa já divulgou uma nota no site da Presidência onde apresenta a Passos Coelho “as mais sentidas e amigas condolências neste momento de enorme perda da sua mulher”. O Presidente da República recorda Laura Ferreira como “alguém que deixou um traço de humanidade e serviço comunitário na sociedade portuguesa”.

[Pedro Benevides, editor de Política do Observador, lembrou na Rádio Observador que Passos Coelho sempre manteve a reserva sobre a doença da mulher, mas nunca a escondeu. Ouça aqui]

Já o primeiro-ministro António Costa usou a rede social Twitter para expressar “sinceras condolências” a Pedro Passos Coelho, “neste momento de dor em que se despede da sua mulher”.

“Todo o país acompanhou, solidário, o combate que Laura Ferreira travou contra a doença e a sua enorme demonstração de perseverança e resiliência”, escreve António Costa.

Também em nota de pesar divulgada esta manhã, a direção do PSD escreve que “foi com grande consternação que o Partido Social Democrata recebeu a notícia do falecimento de Laura Ferreira, mulher de Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro e ex-presidente do PSD”.

O partido lembra ainda que Laura foi “figura muito acarinhada por toda a família social-democrata” e garante que “deixa saudades nos que com ela conviveram ao longos dos anos”.

Em 2012, Laura Ferreira e Passos Coelho numa receção na residência oficial do primeiro-ministro

O curto comunicado termina com a manifestação de “sentido pesar”: “A direção do Partido Social Democrata, na figura do seu Presidente, Rui Rio, expressa a Pedro Passos Coelho e à restante família o seu mais sentido pesar nesta hora”.

E pouco depois, o próprio Rui Rio publicava na rede social Twitter uma “palavra de pesar” dirigida a toda a família e amigos de Laura Ferreira. E terminava com um “abraço solidário” a Pedro Passos Coelho e uma “homenagem pela forma dedicada, solidária e amiga como sempre a acompanhou”.

Benfica e Sporting fizeram também notas pessoais de pesar. “Em meu nome pessoal e do Sport Lisboa e Benfica apresento as mais sentidas condolências ao ex-primeiro-ministro de Portugal, dr. Pedro Passos Coelho, e toda a família, pelo falecimento da sua esposa. Neste momento de particular dor fica o sentimento de profundo pesar e solidariedade”, escreveu numa nota oficial Luís Filipe Vieira, presidente dos encarnados. “O Sporting Clube de Portugal vem por este meio apresentar as suas sentidas condolências ao Dr. Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro de Portugal, bem como à sua família, pelo falecimento de Laura Ferreira”, publicaram os leões.