Os presidentes das três principais instituições europeias deslocam-se na terça-feira à Grécia para demonstrar o “total apoio” da UE às autoridades gregas na resposta à pressão migratória de refugiados oriundos da Turquia, anunciou esta segunda-feira a presidente da Comissão Europeia.

A nossa prioridade é dar à Grécia e à Bulgária todo o apoio de que necessitam para enfrentar a situação no terreno. O desafio que a Grécia está a enfrentar agora é um desafio europeu. Por isso, amanhã [terça-feira] vou viajar para a Grécia juntamente com [o presidente do Conselho Europeu] Charles Michel e [o presidente do Parlamento Europeu] David Sassoli”, anunciou Von der Leyen.

A presidente do executivo comunitário, que falava numa conferência de imprensa em Bruxelas, acrescentou que os líderes das três instituições europeias reunir-se-ão com o primeiro-ministro grego e, na companhia deste, visitarão a zona fronteiriça com a Turquia, “para avaliar no terreno o que pode ser melhorado em termos de apoio”.

Questionado sobre a alegada falta de solidariedade da UE para com a Grécia nesta situação específica, Von der Leyen sublinhou que “ontem (domingo) à tarde as autoridades gregas pediram apoio reforçado da Frontex”, a Agência Europeia de Fronteiras e Guarda Costeira, e desencadearam o chamado mecanismo para a criação de equipas de intervenção rápida, garantindo que a UE está a dar “todo o apoio” possível. Von der Leyen precisou que “a Frontex está a trabalhar muito de perto com os outros Estados-membros, para providenciar guardas fronteiriços e equipamento para a Frontex levar para a Grécia e, desse modo, prestar apoio às autoridades gregas”.

Estive em contacto todos estes dias, com vários contactos telefónicos diários, com o primeiro-ministro grego, para apoiar e coordenar tanto quanto possível nesta situação, que continua a evoluir”, sublinhou a presidente do executivo comunitário.

Questionado sobre a atitude das autoridades turcas, e designadamente a decisão do Presidente Recep Tayyip Erdogan, de “abrir as portas” das suas fronteiras com a Europa para permitir que “milhões” de refugiados possam entrar em solo europeu, e desse modo a Europa “tome a sua parte do fardo”, Von der Leyen disse reconhecer que “a Turquia está numa situação difícil no que respeita aos refugiados e migrantes”, mas sublinhou que aquilo a que se está a assistir agora “não pode ser uma resposta ou solução”.

Por isso, intensificámos o diálogo com a Turquia, aos mais diversos níveis políticos, para encontrar um terreno comum e discutir que apoio poderá ser necessário, tendo em mente que temos um acordo em vigor [com Ancara sobre a gestão dos fluxos migratórios], que consideramos ser a base certa para o diálogo”, declarou a presidente da Comissão.

Esta segunda-feira, Erdogan disse à Europa para que “tome a sua parte do fardo” que é o acolhimento de migrantes, depois de abrir as suas fronteiras na tentativa de obter mais apoio ocidental na questão da Síria.

Depois de abrirmos as portas, multiplicaram-se os telefonemas. Disseram-nos: ‘fechem as portas’. Eu respondi: ‘Está feito, está terminado. As portas estão agora abertas. Agora vocês irão tomar a vossa parte do fardo’”, disse durante um discurso em Ancara.

Para obter mais apoio ocidental na questão da Síria, a Turquia anunciou na semana passada a abertura das suas fronteiras com a Europa para deixar sair os migrantes que estão no seu território. O chefe de Estado turco deve receber o primeiro-ministro búlgaro, Boïko Borissov, cujo país faz fronteira com a Turquia, esta segunda-feira à noite.

A Turquia alberga mais de quatro milhões de refugiados e migrantes, principalmente sírios, e diz que não será capaz de lidar sozinha com um novo fluxo, já que quase um milhão de pessoas em fuga da violência em Idlib (nordeste da Síria) estão na sua fronteira.