O primeiro-ministro, António Costa, salientou que Portugal “tem mostrado uma grande maturidade política” em momentos críticos, e desaconselhou que se confunda o “ajustamento tático natural” dos partidos em início de legislatura com a duração da mesma.

Não devemos confundir aquilo que é o ajustamento tático natural dos partidos políticos neste início de uma nova legislatura com aquilo que é seguramente a vontade de todos os portugueses que esta legislatura prossiga, como as duas anteriores, até ao seu termo, permitindo executar o programa de Governo e, chegando ao final, permitindo aos portugueses avaliarem se pretendem prosseguir com esta linha governativa ou se entretanto entendem que há uma alternativa melhor”, afirmou.

Na ótica do chefe de Governo, “isso é o acontece nos países democráticos”. O primeiro-ministro falava aos jornalistas no final de uma reunião com o homólogo sueco, Stefan Löfven, que decorreu na residência oficial do chefe de Governo, em Lisboa.

António Costa foi questionado sobre os avisos do Presidente da República, que na quinta-feira afastou qualquer possibilidade de eleições antecipadas e aconselhou “baixar a temperatura” e agir no quadro parlamentar que os portugueses escolheram, considerando que o início de legislatura não pode ter sabor de fim.

Na resposta, o primeiro-ministro lembrou que o último Governo liderado por PSD e CDS-PP chegou ao fim da legislatura, e o mesmo aconteceu com o primeiro executivo que liderou.

Considerando que as condições de governabilidade “melhoraram relativamente à legislatura anterior”, Costa assinalou que as últimas eleições, no final do ano passado, tiveram um “resultado eleitoral bastante inequívoco, de satisfação com a experiência que os portugueses tiveram com a chamada ‘geringonça’ e a vontade que tiveram que ela prosseguisse, agora com um PS mais reforçado”.

Portugal tem mostrado uma grande maturidade política em períodos tão críticos do ponto de vista económico, financeiro, social, em ter conseguido simultaneamente assegurar estabilidade política, capacidade de gerar alternativas”, defendeu.

O primeiro-ministro confidenciou igualmente que quando lhe perguntam “como é que Portugal tem resistido tão bem às derivas populistas que existem em tantos sítios”, a resposta que tem dado “é que essa capacidade resulta essencialmente de termos sido sempre capazes de compatibilizar a estabilidade com a possibilidade de ter alternativas quando o país deseja mudanças de orientação”.

“É isso que é possível e que o senhor Presidente da República costuma traduzir muito bem naquela sua formulação que, para a estabilidade e uma democracia viva, precisamos de um Governo forte e de oposição forte”, frisou, desejando “as maiores felicidades” à oposição e ao seu executivo.

Ladeado pelo primeiro-ministro sueco, António Costa apontou que “cada país tem a sua experiência”, e observou que a “Suécia tem um regime partidário próprio, um regime parlamentar próprio”.

“Portugal tem, comparativamente com a generalidade dos países europeus, um parlamento relativamente pouco fragmentado do que acontece na generalidade dos países europeus e onde tem sido possível assegurar nos últimos anos períodos de estabilidade de legislatura que têm sido muito importantes para o país, de estabilidade e de alternativa”, notou.