“Out”. “Varandas Rua”. “Coimbra quer #VarandasOut”. Vários cartazes nesta segunda manifestação de adeptos do Sporting em Alvalade no lapso de um mês pareciam ter sido arrumados a contar os dias para voltarem a aparecer agora mas nem tudo foi duplicado daquilo que se tinha passado antes do jogo com o Portimonense. Por exemplo, uma tarja de fundo preto e letras brancas que dizia “Nós não somos claque”, como que explicando que apesar da concentração organizada por um grupo de sócios a que juntaram Juventude Leonina e depois o Diretivo Ultras XXI o que se sente no universo leonino não se resume apenas aos Grupos Organizados de Adeptos. E houve mais.

Rúben e uma mudança de chip que ainda só começou na cabeça de Sporar (a crónica do Sporting-Desp. Aves)

Com uma adesão de novo a rondar as 3.000 pessoas, num número sempre difícil de calcular por haver muitas pessoas que passam, marcam presença e cinco minutos depois seguem a sua marcha para a respetiva porta do Estádio, e cerca de 100 agentes policiais por perto (e mais alguns à paisana, como acontecera no mês passado), houve uma espécie de volta pouco olímpica a contornar o recinto depois da concentração em frente ao edifício Multidesportivo – aqui praticamente sem a presença de elementos das claques –, nenhum incidente a registar e uma intervenção discreta dos spotters, que retiraram a tarja “Ditador” que estava a ser levantada por um pequeno grupo de adeptos no pequeno passeio que separa aí vias de trânsito. Um pouco mais atrás, um pano maior colocava a cara do presidente leonino com “Varandas rua, pelo futuro do Sporting. Eleições já”.

O mesmo não aconteceu com um outro pano preto em letras brancas que dizia apenas “Godinho 2.0”, numa alusão ao antigo presidente leonino entre março de 2011 e março de 2013 que antecedeu à entrada de Bruno de Carvalho no clube e que esteve na pior época de sempre da equipa verde e branca, que terminaria com um inédito sétimo lugar no Campeonato e eleições antecipadas. Não aconteceu nem fora nem dentro de Alvalade porque, no decorrer da primeira parte, essa tarja acabaria por ser também mostrada na zona do topo Norte. Mais tarde, mais uma tarja desta vez no topo Sul, desta vez com a frase “Vocês envergonham a nossa história”. Foi também nessa zona que se concentrou a maioria dos cachecóis já antes vistos com a inscrição “Eu sou escumalha”.

A manifestação foi pacífica, a agressão a um vogal mudou tudo. “Não mandam nem nunca mais voltam a mandar”, diz Varandas

Apesar de haver também um pedido paralelo a correr nas redes sociais para que os participantes ficassem fora do Estádio durante o encontro com o Desp. Aves, que marcava a estreia do novo treinador Rúben Amorim, foram poucos ou nenhuns aqueles que seguiram essa ideia, num encontro que manteve a tendência decrescente de assistências em Alvalade, que desta vez contou com um total de 26.272 espetadores.

Já no interior do Estádio, Maria José Valério, uma figura muito querida entre o universo verde e branco também por interpretar o hino do Sporting, esteve no relvado mas acabou por protagonizar um momento mais “agitado”, quando apelou ao atual presidente dizendo “Viva o Frederico Varandas! Viva o Frederico Varandas”, ouvindo-se de seguida muitos assobios. À semelhança do que se tem passado nos últimos meses, houve de novo pedidos de demissão vindos do topo Sul para o líder verde e branco, seguidos da habitual vaia dos espetadores que estavam nas restantes bancadas, mas alguns fenómenos “novos” como cânticos anti-Varandas vindos também do topo Norte (onde não existem claques) e alguns sócios na central virados para a tribuna ao intervalo.