Os bispos católicos angolanos anunciaram esta terça-feira que o Presidente João Lourenço assegurou que “em breve” serão conhecidos os resultados do processo de repatriamento de capitais ilícitos, considerando que Angola está num contexto de “penúria e muita delicadeza”.

O contexto sociopolítico do país é, de facto, de muita delicadeza. Quando há pobreza, há crise, todo mundo pede, todo mundo chora, mas as repostas tornam-se muito difíceis, porque não estamos na abundância do passado, mas estamos numa penúria que já nos leva há mais de sete anos”, afirmou esta terça-feira o porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Belmiro Chissengueti.

Em declarações, no palácio presidencial, em Luanda, após os prelados católicos serem recebidos, em audiência, por João Lourenço, o bispo Belmiro Chissengueti deu conta que o repatriamento de capitais ilícitos foi um dos pontos abordados.

Sobre o assunto, o também bispo de Cabinda fez saber que João Lourenço garantiu aos bispos da CEAST, presentes no encontro, que “brevemente ou a seu tempo” as autoridades competentes empenhadas nesse processo, nomeadamente a Procuradoria-Geral da República e o Ministério das Finanças, “darão a informação pontual a respeito disso”.

O “difícil” quadro socioeconómico do país, “agravado nos últimos dias com a queda do preço do petróleo”, o maior suporte da economia angolana, também constitui preocupação dos bispos católicos apresentada ao Presidente angolano. “De maneira que temos de tomar consciência de tempos de bastante austeridade e dificuldade e que exigirão a compreensão e colaboração de todos”, sustentou.

Para o porta-voz da CEAST, no quadro de “muita dificuldade” que o país vive, atenção especial deve ser dada “às franjas mais vulneráveis da população para que não sejam muito atingidas” pelo flagelo. “Vimos também a questão da ordem social que é necessário ajudar a garantir e também outras opções que o Estado deve tomar para que se possa salvaguardar a paz e a reconciliação nacional”, acrescentou.

No domínio eclesial, frisou, o Presidente angolano garantiu aos 17 bispos presentes no encontro que, apesar das limitações conjunturais, a requalificação do santuário da Muxima, maior centro mariano da África subsaariana, cujas obras foram adjudicadas em 2018, “é para andar”.

O governo angolano prevê gastar mais de 260 milhões de euros com a requalificação da via e do santuário da Muxima, município da Quiçama, em Luanda, empreitadas que avançam ao fim de 10 anos e que vão envolver as construtoras de origem portuguesa Somague e Casais.

A informação consta de quatro despachos assinados por João Lourenço, em 19 de dezembro de 2018, aos quais a Lusa teve acesso, autorizando a contratação das construtoras para as empreitadas, nomeadamente a edificação da basílica para 4.600 fiéis.

Esta terça-feira, o bispo Belmiro Chissengueti assinalou ainda que a basílica da Muxima vai contribuir para o turismo religioso, será um espaço “gerador de empregos diretos e indiretos” e durante a vida do empreendimento “muitos irão de encontrar ali o seu ganha-pão”.

Este projeto foi lançado em 2008 pelo então Presidente José Eduardo dos Santos que, cerca de um ano depois, aquando da visita pastoral de Bento XVI a Angola, mostrou a maqueta ao papa e ofereceu a futura basílica à Santa Sé.