O aquecimento global pode causar súbitas e potencialmente catastróficas perdas de biodiversidade por todo o mundo durante este século, alerta um estudo da “University College London” (UCL), uma das universidades públicas britânicas, divulgado hoje.

O estudo, publicado na revista científica “Nature”, prevê quando e onde poderá haver graves perturbações ecológicas nas próximas décadas e sugere que as primeiras ondas podem já estar a acontecer.

Alex Pigot, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Ambiente da UCL, um dos autores principais do estudo, diz que os riscos das alterações climáticas para a biodiversidade não aumentam gradualmente, mas que numa determinada área as espécies podem enfrentar de repente condições que nunca antes tinham sentido.

A investigação indica que em muitas comunidades ecológicas do mundo uma grande proporção de organismos estará fora da sua zona de conforto na mesma década, e que com temperaturas nunca sentidas até 2100 dois terços dessas espécies vão cruzar muito rapidamente esse limiar.

Os investigadores calculam que se as temperaturas globais subirem 4°C (quatro graus celsius) até 2100, num cenário de “altas emissões” de gases com efeito de estufa, que consideram plausível, pelo menos 15% das comunidades de todo o mundo, e potencialmente mais, vão sofrer uma alteração abrupta das condições e uma em cada cinco espécies dessas comunidades ultrapassa os limites de conforto, o que pode causar danos irreversíveis ao funcionamento do ecossistema.

Se o aumento de temperatura for mantido nos 2°C, menos de 2% dessas comunidades enfrentarão esses eventos extremos, embora os investigadores alertem que nesses 02% estão comunidades como os recifes de coral.

Os investigadores preveem que essas temperaturas sem precedentes começarão antes de 2030 nos oceanos tropicais, e dizem que situações recentes de branqueamento em massa de corais na Grande Barreira de Coral (Austrália) indicam que essa mudança já está a acontecer.

O estudo inclui também a previsão de que as latitudes mais altas e as florestas tropicais estarão em risco até 2050.

As nossas descobertas destacam a necessidade urgente de mitigação das alterações climáticas, reduzindo imediata e drasticamente as emissões (de gases com efeito de estufa), o que pode ajudar a salvar milhares de espécies da extinção. Manter o aquecimento global abaixo dos 2°C efetivamente ´achata a curva´ de como esse risco para a biodiversidade se acumulará ao longo do século, dando mais tempo às espécies e ecossistemas para se adaptarem às alterações climáticas, seja encontrando novos habitats, alterando o comportamento ou com a ajuda dos esforços de conservação liderados pelos humanos”, disse Alex Pigot.