Galerias de arte de todo o mundo alertam para uma quebra média de 72% no rendimento anual e que um terço das empresas não deverá sobreviver à pandemia Covid-19, segundo um inquérito internacional esta segunda-feira divulgado.

De acordo com o resultado do inquérito divulgado pela publicação internacional The Art Newspaper, o impacto da crise nas galerias e comerciantes de arte em todo o mundo é igualmente pesado, mas difere um pouco em cada região do mundo.

Segundo o estudo, que conta com a participação da economista Rachel Pownall, professora da área financeira na Universidade de Maastricht, é no Reino Unido que os galeristas e comerciantes de arte mais se queixam das quebras no negócio previstas para este ano, de 79%.

O inquérito foi realizado junto de 236 galerias e negociantes de arte e antiguidades entre 10 e 20 de abril, quando grande parte do mundo estava paralisado pela pandemia ao nível de atividades e serviços.

Mais de um terço das galerias receia não sobreviver à crise global (33,9%), indica o estudo.

Enfatizando a vulnerabilidade das pequenas empresas, são as que têm entre cinco a nove trabalhadores que dizem ter as mais baixas chances de sobrevivência (62%), enquanto as maiores, com mais de 10 funcionários são mais otimistas, com três quartos das inquiridas a esperar superar a crise.

Globalmente, 82% dos inquiridos dizem que a principal preocupação é a quebra nas vendas durante a pandemia e para 56% a liquidez no negócio também gera grande ansiedade.

As galerias de maiores dimensões são aquelas que dizem ter uma rede de suporte para manter o negócio durante a crise.

Em média, as galerias indicam uma almofada financeira de dois meses.

“É devastador ver até um terço das galerias a enfrentar o encerramento durante a pandemia. A liquidez é uma chave para a sobrevivência comercial. É imperativo que os governos e os mercados ofereçam suporte financeiro a quem precisa”, defende Rachel Pownall no estudo.

A capacidade para manter os postos de trabalho é outra das preocupações dos galeristas. Cerca de 67% recorreram a esquemas de licença sem vencimento.

Em tempo de crise, alguns países responderam à economia com apoios financeiros de emergência, nomeadamente a Alemanha, enquanto o Reino Unido tem contribuído com 80% do salário de trabalhadores em empresas que recorreram a lay-off.

Quando questionados sobre os apoios que necessitam dos governos, as galerias pedem a descida dos impostos, mais encomendas de arte do setor público, e um aliviar do pagamento das rendas dos seus espaços de venda.

O valor das rendas varia muito consoante a localização, sendo que Nova Iorque apresenta os custos mais elevados, seguindo-se Londres e depois Paris, por exemplo.

Os resultados deste estudo – adianta ainda – vão ao encontro de um outro semelhante conduzido pelo Comité Profissional de Galerias de Arte da França, que aponta igualmente para um terço das galerias de arte francesas em risco de fechar antes do final de 2020.

Em Portugal, no início de abril, a Exhibitio, associação que representa cerca de 20 galerias de arte, também alertou que o impacto da pandemia irá por em risco a sobrevivência de algumas destas entidades.

Para fazer face à situação de crise, também sugeriram o aumento de compras de obras de arte por parte do setor público, nomeadamente dos museus do Estado.