O Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Oliveira e Sousa, afirmou, em entrevista à rádio Observador, que “a agricultura não pode parar” e garantiu que estão a ser desenvolvidos todos os esforços para que não falte mão de obra no setor.

Para corresponder às necessidades da área, está em funcionamento uma plataforma “onde as pessoas podem inscrever-se” para perceber se, nas empresas agrícolas mais próximas, há carência de mão de obra. Os trabalhadores de áreas como restauração, hotelaria ou turismo rural que estão em regime de “layoff” estão também a oferecer-se para ajudar, segundo Eduardo Oliveira Sousa. “Tenho esperança que não haja necessidade de recorrer a trabalhadores vindos de fora”, confessou, dizendo que o setor “vai conseguir fazer o trabalho que estava a fazer, sem haver perdas”.

O presidente da CAP fez um apelo aos portugueses para que “deem preferência aos produtos de origem nacional,” valorizando o consumo de fruta da época e tendo “espírito de solidariedade” para ajudar a economia do país.

A qualidade dos produtos nacionais é francamente boa, é reconhecida internacionalmente e por isso temos tido sucesso nas exportações de produtos hortícolas e frutícolas”, acrescentou.

Com a mudança de hábitos de compra em Portugal face à pandemia da Covid-19, o comércio de proximidade ganhou um novo destaque e os agricultores “estão a perceber que existem novas formas de fazer negócio”, através de encomendas online, organização de cabazes e venda em mercados mais próximos. Isto “não resolve em absoluto a crise que o setor está a atravessar, mas está a perspetivar uma nova forma de evolução”, afirmou ainda Eduardo Oliveira Sousa.

Quanto às exportações, o presidente da CAP sublinhou que o setor agrícola vai ter de continuar “a criar valor fora de portas”, uma vez que o país não é autossuficiente em muitos produtos.

Eduardo Oliveira Sousa criticou as medidas de apoio às empresas lançadas pelo Governo por terem sido pensadas “mais na economia geral do país do que no setor agrícola”.

O setor tem um instrumento específico que pertence à Política Agrícola Comum (PAC) e há instrumentos financeiros no âmbito dessa política que estão ‘pendurados'” e que não permitem que o dinheiro entre nas economias das produções agrícolas, “aliviando a necessidade das empresas de irem concorrer com outros setores na obtenção de créditos junto dos bancos”, disse.

O presidente da CAP avançou ainda que já pediu ao Comissário Europeu da Agricultura para reforçar o pedido da antecipação das ajudas diretas aos agricultores que habitualmente chegam em outubro, para que cheguem em “julho ou agosto”, mesmo que para isso seja necessário pedir ao Governo “um esforço de antecipação de pagamento, sendo o estado português ressarcido dois meses depois”.

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“A agricultura não pode parar”. A entrevista a Eduardo Oliveira e Sousa