Era Fátima para os amigos e Maria para escrever. Não eram a mesma pessoa. Havia nela qualquer coisa de monacal no corpo magro e no rosto pétreo esculpido dentro de uma grande solidão: a de saber que não há felicidade na terra e os senhores que a compram e a vendem julgam poder enganar-se a si mesmos. A obra que nos deixa é como um grande poema filosófico sobre habitar a terra, caminhar nos dias, pôr um pé à frente do outro, mas não saber que sapatos usar.

“…como se calça uma pessoa que vai escrever pelas ruas, que vai principalmente isso, uma pessoa fêmea? Com os sapatos da Agustina (…) ? Como os da Irene Lisboa (…)? Como a Virginia Woolf (…), como os da Gertrud Stein, duas fivelas de strass sem sola?” [Casas Pardas]

Como anotou no seu diário, em 1977,  a escritora Maria Gabriela Llansol: “Hoje, a Teresa falou-me de Maria Velho da Costa. É uma possível béguine, uma dessas mulheres que se apagam, ou…“.  De facto, Fátima foi mais uma monja do que um escritora panfletária de qualquer causa.

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