A Grécia anunciou na sexta-feira a lista de países de origem de turistas que terão porta aberta no seu território a partir de 15 de junho. Residentes em Portugal estão de fora da lista, que tem em conta a situação epidemiológica de cada país. E o Governo português quer esclarecimentos sobre a “lista negra” criada pelos gregos.

Segundo o Executivo, as questões seguirão “pelos canais diplomáticos e políticos apropriados” depois de conhecida a decisão das autoridades de Atenas, de limitar a entrada no seu país a 29 nacionalidades durante o verão. Esta “lista negra” ao contrário vai deixar de fora os cidadãos de vários países mais afetados pela pandemia de Covid-19, incluindo Espanha, Itália, França ou Reino Unido, mas também Portugal. No entanto autoriza a chegada de cidadãos de países como a China e a Alemanha, grandes mercados emissores de turistas para a Grécia.

Questionada pelo Observador sobre se Portugal já confrontou ou vai confrontar Atenas sobre essa decisão, fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros respondeu positivamente: “Sim. O primeiro passo é, naturalmente, cuidar de obter das autoridades gregas os esclarecimentos devidos, pelos canais diplomáticos e políticos apropriados”.

No entanto, a diplomacia portuguesa não se compromete, por enquanto, a adotar uma posição – como fez o governo italiano – a condenar a decisão, preferindo desde já referir apenas que “o Governo está a analisar os termos e fundamentos da medida comunicada pelas autoridades gregas”.

Este sábado, durante a habitual conferência de imprensa diária sobre a evolução da pandemia em Portugal, a ministra da Saúde, Marta Temido, também começou por dizer que não iria comentar decisões de Estados soberanos. No entanto, acabou por dizer que “esta pandemia não conhece fronteiras e, sobretudo, num contexto de União Europeia onde os habitantes circulam, a [questão] tem de ser considerada com particular atenção”. No entanto, disse que a medida da Grécia – prevista para 15 de junho – pode contrariar as regras e princípios da UE.

“Não podemos pretender instituir regimes onde alguns países fechem as fronteiras a outros porque isso, além do mais pode pôr em causa um conjunto de princípios e de regras da União Europeia”. E acrescentou: “Estou certa que serão análises que, com o tempo, serão ultrapassadas e, da mesma forma que olhamos para as medidas sanitárias com proporcionalidade e adequação é o que faremos relativamente à análise deste caso concreto.”

Em causa a decisão do ministério do Turismo grego que explicou que este primeiro grupo poderá efetuar voos diretos apenas para Atenas e para a cidade de Tessalónica e que a lista de autorizações será ampliada a 1 de julho. A evolução dos outros países de origem face à Covid-19 será um fator a ter em conta, tal como os testes que a Grécia vai fazer, que serão aleatórios entre os turistas.

“O nosso objetivo é poder acolher os turistas que superaram o medo e que têm a capacidade de viajar para o nosso país”, disse Harry Theoharis, ministro do Turismo.

Como já se previa desde o momento em que o primeiro-ministro grego anunciou o regresso do turismo, da lista de 29 países autorizados fazem parte os vizinhos da região dos Balcãs, os países bálticos e os países nórdicos (com exceção da Finlândia). China e Alemanha, dois dos mais afetados pela pandemia, também voltar a enviar turistas.

Na lista de países com permissão para a viajar para a Grécia estão: Albânia, Austrália, Áustria, Macedónia do Norte, Bulgária, Alemanha, Dinamarca, Suíça, Estónia, Japão, Israel, China, Croácia, Chipre, Letónia, Líbano, Nova Zelândia, Lituânia, Malta, Montenegro, Noruega, Coreia do Sul, Hungria, Roménia, Sérvia, Eslováquia, Eslovénia, República Checa e Finlândia.

Os números do surto na Grécia são muito mais baixos do que os registados por Itália, França ou mesmo por Portugal. Até agora, confirmou pouco mais de 2.900 casos de infetados pelo vírus da Covid-19 e 175 vítimas mortais.