A Livraria Lello quebrou o silêncio, este sábado, e respondeu ao polémico tweet de J.K.Rowling, a autora da saga Harry Potter — que a 21 de maio referiu que nunca esteve naquele espaço portuense — com uma carta aberta a “Alguém que Nunca Visitou a Livraria Lello… (Mas Gostaria de o ter Feito)”, publicada no Facebook. Num texto extenso, com várias referências literárias, a Lello agradece a “simpatia” da autora e convida-a a conhecer a livraria, instalada num edifício de interesse público, com “o mesmo espírito com que a cidade de Liverpool recebeu os Beatles depois de eles se terem tornado famosos em Londres”.

Recorde-se que J.K. Rowling, na passada semana, afirmou que a Livraria Lello, no Porto, não foi uma inspiração para o universo de Hogwarts. A autora referiu, na sua conta de Twitter, que pretendia clarificar algumas relações habitualmente feitas entre lugares verídicos e inspirações para a obra.

“Eu estava a pensar em colocar uma secção no meu site sobre todas as supostas inspirações e locais de nascimento de Potter”, escreveu J.K.Rowling, escolhendo, depois, como exemplo a conhecida livraria, no Porto.

“Nunca visitei esta livraria. Nunca soube da sua existência! É linda e eu gostaria de a ter visitado, mas não tem nada a ver com Hogwarts!”, disse.

Face à desilusão revelada pelos fãs, acabou por confirmar a sua presença no conhecido café Majestic, também na Invicta. “Se anima as pessoas que estão dececionadas com a livraria no Porto, escrevi ali algumas vezes. Foi provavelmente o café mais bonito em que eu já escrevi, na verdade. O Café Majestic na Rua de Santa Catarina”.

Declarações que, segundo ainda carta aberta, não perturbaram a Lello. “Declarando que quando viveu no Porto não sabia da existência da Livraria, J.K. Rowling fornece elementos para a sua autobiografia, reconhece que a Livraria é muito bonita e confessa ainda que desejaria (<<I wish I had>>) tê-la visitado”, lê-se no texto. E concluiu: “Embora Tchaikovsky nunca tenha passado pelo Porto, sabemos que J.K. Rowling ouviu muito a sua música quando viveu na nossa cidade. Não será, por isso, excessivo concluir que o Tchaikovsky, que a partir de agora se ouvirá na Livraria Lello às cinco da tarde, continuará a inspirar quem sonha com Hogwarts na famosa escadaria da livraria”

A autora viveu durante três anos no Porto, em 1991, e é habitual referir-se que a cidade a inspirou a escrever os primeiros rascunhos do livro “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, lançado em 1997. A livraria portuense, que remonta ao ano de 1906, era visitada diariamente por turistas, devido à sua arquitetura e às supostas relações com os livros de Harry Potter, tendo organizado vários eventos relacionados com o tema. Este sábado, abriu as portas ao público, pela primeira vez, depois da pandemia. E nada deverá mudar: “Quando visitam a Livraria Lello, milhões de leitores de J. K. Rowling descobriram também o universo Harry Potter, e ninguém pode parar este entusiasmo mágico”