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Bruno leu a cartilha ao "cabeçudo" e Jovane aprendeu a estar sempre em festa (a crónica do Sporting-Tondela) /premium

Jovane marcou mais um golo de livre direto (que chegou a Manchester e a Bruno Fernandes), jogou e fez jogar um Sporting que ganhou ao Tondela após os 45 minutos mais completos da era Amorim (2-0).

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Jovane Cabral marcou pela segunda jornada consecutiva de livre direto e abriu caminho a mais uma vitória do Sporting

Gerardo Santos

Jovane Cabral marcou pela segunda jornada consecutiva de livre direto e abriu caminho a mais uma vitória do Sporting

Gerardo Santos

Numa altura de alguma estabilidade institucional depois da pandemia em que quase todas as atenções no Sporting estão centradas nas notícias dos treinos, nas conferências de imprensa e nos jogos da equipa principal de futebol que apenas podem ser vistos através da TV (e em canal fechado), quase como se o afastamento momentâneo dos adeptos tivesse esvaziado a autêntica panela de pressão em que se cozinhava um futuro a breve e médio prazo, um  grupo de associados reuniu-se nos últimos dois dias para o arranque das Jornadas “Sporting com Rumo”, encontro com vários sócios e personalidades no Tagus Park que discutiu nesta fase inicial o modelo de governance.

Sporting vence Tondela com golos de Jovane Cabral e Sporar e isola-se à condição no terceiro lugar

“Todos os sportinguistas têm opiniões. O nosso propósito, o que pretendemos com estas jornadas, é tão simples quanto inequívoco: queremos juntar à mesma mesa um capital humano riquíssimo que o Sporting tem, contribuir com ideias de pessoas com vasta experiência nas suas áreas de expertise, e gerar consensos para que o nosso clube volte a ganhar a relevância que tem perdido nos últimos anos”, justificava na apresentação Agostinho Abade, antigo presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar (entre outros cargos nos órgãos sociais). Assim, e entre terça e quarta-feira, figuras como Ângelo Correia, Jorge Coelho, Diogo Lacerda Machado, António Pires de Lima, Miguel Relvas, Luís Filipe Menezes ou João Duque foram dando os seus inputs em relação ao futebol dos leões. José Braz da Silva, que esteve para avançar com uma candidatura em 2011, também esteve presente.

“A maioria do capital [da SAD] deve estar nas mãos dos sócios do Sporting. Se os sócios estão disponíveis? Acredito que sim. Se nós temos 100 mil sócios, e há sócios que podem dar mais ou podem dar menos, que não é dar, é mais investir, 100 mil sócios a 1.000 euros por sócio dava 100 milhões de euros. Por isso compram-se telemóveis, outras coisas… Se os sócios têm assim tanto amor pelo Sporting, acredito que fariam esse sacrifício que não era assim tão grande como isso, a banca que financia telemóveis e compras também podia ajudar os sócios que não tivessem essa capacidade financeira”, defendeu o empresário que é dono da Tâmega Engineering (a antiga Construtora do Tâmega) ou da Finertec, entre outras empresas. Num mundo idílico, era um cenário apetecível; no mundo real, trata-se de uma utopia – e as tentativas nesse sentido que envolveram o Sporting não correram bem. Também por aí se justificou os mais de dez milhões investidos pelos leões em Rúben Amorim.

Desde que assumiu a liderança dos leões, em setembro de 2018, Frederico Varandas, que se mostrava apologista da estabilidade técnica na equipa principal, foi trocando vezes sem conta de treinador: José Peseiro, Tiago Fernandes, Marcel Keizer, Leonel Pontes, Silas, agora Rúben Amorim. Em ano e meio, seis nomes passaram pelo comando da equipa. O antigo responsável do Sp. Braga, que fizera pouco mais de dez jogos no conjunto minhoto, chegou para mudar esse paradigma. E chegou porque os responsáveis consideraram que as sementes que foram sendo lançadas também ao longo de ano e meio permitia apagar o fosso geracional de talentos high level que pudessem subir à formação A. No limite, foi uma questão de alocar o mesmo dinheiro para partes diferentes e, em vez de dar 12 milhões para contratar jogadores, ofereceu o mesmo valor por alguém que “faça” jogadores.

“Se quisesse ter esperado por algum clube, esperava. Adoro trabalhar com as pessoas do Sporting, foi uma das coisas que me levaram a escolher o clube. Desde o primeiro momento que me contactaram, a ideia passava por ganhar jogos e ajudar a lançar jovens do Sporting porque o momento do clube assim o exigia. É algo para durar, sabendo que não vamos ter sempre a almofada de dizer que são muito miúdos e que precisam de tempo. Não, o Sporting exigia resultados desde já sabendo que a nova aposta é na formação”, destacou Rúben Amorim na conferência de imprensa antes da receção Tondela. Não havendo propriamente muito dinheiro, e numa altura que se tornará mais complicada num contexto de pandemia, os mais novos surgem como solução para os problemas.

Esta noite, frente ao Tondela, na exibição em que o Sporting melhor conseguiu juntar a ideia de jogo à eficácia, dois dos grandes destaques foram os jovens Nuno Mendes e Gonzalo Plata: o jovem lateral, que fará amanhã 18 anos, entrou para o lugar de Acuña, foi pela primeira vez titular pelos leões e fez uma exibição muito consistente, tendo influência em várias oportunidades sobretudo nos 45 minutos iniciais; o ala equatoriano, que se tornou numa espécie de substituto natural de Vietto mas a partir da direita, teve vários pormenores de classe que provaram ter a capacidade desequilibradora que é pedida naquela posição. E ainda houve um Matheus Nunes a beneficiar de um Wendel mais presente no jogo e um Eduardo Quaresma com mais um encontro seguro como central mais descaído na direita. No entanto, e mais uma vez, foi Jovane Cabral a desbloquear o jogo (2-0).

Fiche de jogo

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Sporting-Tondela, 2-0

27.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Manuel Oliveira (AF Porto)

Sporting: Luís Maximiano; Eduardo Quaresma, Coates, Mathieu (Borja, 74′); Rafael Camacho (Ristovski, 69′), Matheus Nunes, Wendel (Battaglia, 69′), Nuno Mendes; Gonzalo Plata (Francisco Geraldes, 74′), Jovane Cabral e Sporar (Pedro Mendes, 88′)

Suplentes não utilizados: Renan, Luís Neto, Doumbia e Joelson Fernandes

Treinador: Rúben Amorim

Tondela: Cláudio Ramos; Petkovic (Tiago Almeida, 63′), Philipe Sampaio, Yohan Tavares (Ricardo Alves, 63′), Filipe Ferreira; Jaquité, Pepelu (Pedro Augusto, 88′); Murillo, Ricardo Valente (Rúben Fonseca, 73′); Ronan (Jonathan Toro, 73′) e Richard Rodrigues

Suplentes não utilizados: Niasse, Xavier, Pité e Strkalj

Treinador: Natxo González

Golos: Jovane Cabral (13′) e Sporar (31′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Yohan Tavares (10′), Tiago Almeida (87′) e Ricardo Alves (89′)

Partindo da esquerda, trocando assim de ala com Gonzalo Plata, o cabo-verdiano jogou, fez jogar (Nuno Mendes que o diga) e voltou a ser decisivo com o segundo golo consecutivo de livre direto, algo que apenas Mohammadi, do Desp. Aves, tinha feito na presente edição do Campeonato. Mais do que isso, Jovane Cabral voltou a mostrar que é o elemento que mais aproveita a ideia de jogo de Amorim: se os adversários sobem em demasia as linhas, o extremo torna-se o principal perigo pela velocidade, profundidade e explosão com que consegue desequilibrar; se os adversários ficam com blocos mais baixos, não só existe outra facilidade para circular bola e procurar eventuais desposicionamentos como consegue aproveitar espaços entre linhas para fazer a diferença. Depois, tem golo. Muito golo. E um golo que, mais uma vez, não demorou a saltar fronteiras e chegar a Manchester.

“Que coisa linda, cabeçudo! Mathieu, a experiência que ninguém notou faz diferença. Jovane, começa a ficar normal para ti”, escreveu Bruno Fernandes, antigo capitão dos leões, numa história feita no Instagram. “Não lhe ensinei nada, aquilo que ele fez no jogo [com o P. Ferreira] é pela qualidade dele, pela sua capacidade. O que fiz foi simplesmente mandar uma mensagem ao Jovane antes do jogo, falar um bocadinho com ele. Já lhe tinha dito após o jogo em Guimarães que queria falar com ele. O Jovane no passado teve um percurso de altos e baixos, de muitos altos e baixos, e acho que se deveu sempre ao facto de ele ficar ali um bocadinho aluado quando as coisas corriam bem e muito em baixo quando as coisas corriam mal. Então tentei ter uma conversa para que mantivesse o foco, que não se deixasse levar pelo facto de em Guimarães ter feito um bom jogo. Gosto muito do Jovane como pessoa, como miúdo. Sei o que ele se esforça e o que ele luta para ter as oportunidades dele, mas sei também o quanto ele fica de peito inchado quando as coisas lhe correm bem”, contou o médio ao canal 11.

Max escreveu nas costas de Jovane “Eu sou grande” mas a equipa pensou pequeno (a crónica do Sporting-P. Ferreira)

Depois da boa exibição em Guimarães e do fantástico golo que decidiu o jogo frente ao P. Ferreira, Jovane Cabral não se deslumbrou e cedo começou a mostrar serviço, num lance onde ficou a pedir grande penalidade (2′). O Sporting jogava com as linhas subidas mas, desta vez, com outra velocidade na circulação e capacidade de entrar no último terço do Tondela, tendo nos dois fantasistas que jogavam no apoio a Sporar e nas subidas dos dois laterais os argumentos para ir fazendo chegar a bola com perigo à área visitante. No entanto, o golo inaugural apareceria apenas de bola parada, com Mathieu a ajeitar a bola que pedia um pé esquerdo e Jovane a rematar em arco por cima da barreira sem hipóteses para Cláudio Ramos, que ficou a olhar sem reação (13′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Sporting-Tondela em vídeo]

Quarto jogo com Amorim, quarto jogo em que o Sporting saía a ganhar. Todavia, e ao contrário do que aconteceu nos dois últimos encontros, a vantagem não alterou a forma de jogar da equipa, que continuou à procura de mais golos que pudessem dar uma outra tranquilidade à equipa. Rafael Camacho, aparecendo em zona de finalização ao segundo poste para desviar de cabeça ao lado (ainda com o toque de um defesa contrário) após cruzamento de Nuno Mendes na esquerda, teve mais uma boa situação antes do segundo golo, numa grande penalidade convertida por Sporar após corte de Pepelu com a mão na sequência de mais uma grande jogada entre Jovane e Nuno Mendes (31′). Mesmo sem ter feito um único remate à baliza de Luís Maximiano no primeiro tempo, o Tondela ainda teve uma bola no poste com um desvio inadvertido de Mathieu para a própria baliza na sequência de um livre lateral mas seriam os leões, por Jovane (36′) e Nuno Mendes (41′), a ficarem perto do 3-0 antes do intervalo.

No segundo tempo, a intensidade do Sporting baixou mas nem por isso o Tondela melhorou muito a sua prestação em Alvalade e foi o conjunto verde e branco, que foi controlando sempre em posse o encontro, a beneficiar de mais uma boa oportunidade numa jogada individual de Sporar que terminou com um remate ao lado (60′). Nos últimos 25 minutos, e apesar das várias substituições que foram quebrando ainda mais um jogo que já estava quebrado, os beirões tiveram ainda uma chance clara para reduzirem a desvantagem com um cabeceamento de Philipe Sampaio à trave na sequência de um livre mas não mais o resultado voltaria a mexer em Alvalade, com os leões a somarem a sétima vitória seguida em casa (recorda da época, com o outro ponto positivo de ser o quarto encontro consecutivo sem sofrer golos) e a subirem de forma isolada ao terceiro lugar.

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