Moradores em Lisboa defenderam esta sexta-feira “períodos de tampão” antes e depois do horário de restrição de voos, no Aeroporto Humberto Delgado, entre as 00h e as 6h, de modo a acomodar eventuais atrasos.

A Associação Morar em Lisboa diz que os projetos de lei do BE e do PAN para interditar a ocorrência de voos civis noturnos entre as 00h e as 6h, salvo situações de emergência, são positivos, mas critica que as situações de emergência não estejam tipificadas no documento.

Falando numa reunião do grupo de trabalho sobre os voos civis noturnos, Pedro Nunes, daquela associação, defendeu que devem haver restrições entre as 23h e as 00h de forma a que os atrasos não “resvalem para o período da meia-noite”. 

A associação quer também que entre as 6h e as 7h seja a permitida a chegada e a partida apenas de aeronaves classe 3, que dizem respeito a “aviões de médio curso”, ficando os restantes proibidos de circular.

No mesmo sentido, o vice-presidente da Associação Vizinhos das Avenidas Novas realçou a importância do “período tampão”, assim como de clarificar as exceções permitidas entre as 00h e as 6h, considerando que se trata de uma “questão de verdadeira saúde pública”.

Rui Pedro Barbosa disse que o problema do ruído provocado pela aviação “afeta de forma significativa os moradores da freguesia das Avenidas Novas”, em Lisboa, e reafirmou que comporta riscos para a saúde dos cidadãos.

No caso de Arroios, os impactos do ruído não são diretos, uma vez que se encontra fora do “cone de aproximação de aterragem e descolagem de aviões”, mas tem um impacto indireto, conforme salientou o presidente do coletivo de vizinhos daquela freguesia.

“A freguesia não para dia e noite”, frisou Luís Castro, notando que Arroios tem “10% do alojamento local” da cidade e “grande parte dos hotéis” de Lisboa.

“Os ‘trolleys’ durante a noite e todos estes movimentos de pessoas são na realidade muito impactantes”, defendeu.

Gonçalo Matos, da Associação dos Vizinhos de Lisboa, levantou ainda a questão da segurança de um aeroporto como o Humberto Delgado, situado dentro da cidade de Lisboa.

“Mais ainda durante a noite, devido às condições de visibilidade”, referiu.

Outro ponto várias vezes referido pelas várias entidades que intervieram na discussão, que contou também com autarcas do Porto, Loures e Lisboa, prende-se com o facto das mais de 1.100 infrações relacionados com ruído registadas no ano passado ainda não terem resultado em coimas.

Citando alguns estudos, Hans Eickhoff, do Movimento Morar em Lisboa, sublinhou que Lisboa está entre as piores capitais europeias no que diz respeita ao número de pessoas afetadas pelo aeroporto e pelos níveis de ruído.

Apesar de reconhecer a importância do turismo “na economia do país”, Hans Eickhoff, defendeu que isso não pode interferir “com o bem-estar dos residentes, estudantes, visitantes e trabalhadores” de Lisboa.