Desde que no passado dia 25 de maio George Floyd morreu às mãos da polícia de Minneapolis e reinflamou em todo o mundo o movimento Black Lives Matter, a de Lewis Hamilton tem sido uma das vozes famosas mais audíveis na luta contra o racismo e a discriminação. Esta segunda-feira, dia em que a Mercedes-AMG anunciou em comunicado a nova imagem com que vai apresentar-se no Mundial de Fórmula 1 deste ano, nas redes sociais, o piloto britânico limitou-se a erguer ambas as mãos, em sinal de aprovação e vitória: em 2020 os monolugares da escuderia alemã, tradicionalmente prateados, vão ser pretos e ostentar, no halo, a peça que desde 2018 protege as cabeças dos corredores, a inscrição “End Racism”.

Nos espelhos dos carros da equipa, conduzidos por Hamilton e pelo finlandês Valtteri Bottas, vai ainda poder ler-se o hashtag #WeRaceAsOne (corremos como um só), que traduzirá a intenção anunciada pela marca de “melhorar a diversidade”, não só da equipa mas de todo o automobilismo.

“Apresentamos o nosso novo visual para 2020. É uma promessa para melhorar a diversidade da nossa equipa e do nosso desporto, e um sinal do compromisso da equipa na luta contra o racismo e a discriminação em todas as suas formas”, anunciou a Mercedes-AMG nas redes sociais.

Em comunicado, a escuderia revelou que o movimento Black Lives Matter deixou claro que são necessárias “novas medidas e ações na luta contra o racismo” e que tem passado as últimas semanas a “escutar as perspetivas” dos seus membros “para aprender e refletir sobre como é a nossa equipa hoje e como queremos que seja no futuro”. Em toda a Mercedes-AMG, contabiliza o mesmo texto, só 3% das pessoas pertencem a um grupo étnico minoritário e apenas 12% são mulheres. “Esta falta de diversidade mostra que precisamos de encontrar novas abordagens para atrair talentos de muitas áreas da sociedade que atualmente não alcançamos. Sabemos que a nossa equipa será mais forte se conseguirmos atrair talentos do maior número possível de pessoas e estamos empenhados em alcançar este objetivo através de ações positivas.”

Lewis Hamilton, o único piloto negro de toda a Fórmula 1, que há apenas alguns dias foi notícia por não se coibir de comentar as declarações de Bernie Ecclestone sobre o tema do racismo — “Em muitos casos, as pessoas negras são mais racistas do que as brancas”, foi o que o ex-piloto e antigo patrão da Fórmula 1, também britânico, disse em entrevista à CNN Sport; são “comentários ignorantes e sem instrução”, escreveu o campeão em título sobre o assunto —, já comentou entretanto a decisão da escuderia alemã. “Vai enviar uma mensagem tão forte que vai dar aos outros a confiança para começar um diálogo sobre como poderão implementar a mudança.”

Por parte da Mercedes, a mudança surge depois de o seis vezes campeão do mundo ter tecido duras críticas aos colegas do setor, por falta de solidariedade e empenhamento na causa antirracista. “Vejo aqueles que se têm mantido em silêncio, alguns de vocês são as maiores estrelas ainda assim mantêm-se em silêncio no meio da injustiça. Não há um sinal de quem quer que seja na minha indústria que, como é óbvio, é um desporto dominado por brancos. Ainda sou uma das poucas pessoas de cor, estou sozinho. Pensei que por esta altura vocês já tivessem percebido por que motivos isto acontece e que dissessem qualquer coisa sobre o assunto, mas não podem estar connosco. Saibam apenas que eu sei quem vocês são e que estou a ver-vos”, chegou a escrever Lewis Hamilton, no Instagram.

Na altura, no Twitter, a equipa já tinha feito questão de lhe garantir que estava com ele. “A tolerância é um princípio elementar da nossa equipa e a diversidade, em todas as suas formas, enriquece-nos. Recebemos e encorajamos pessoas de todas as raças, culturas, religiões, filosofias e estilos de vida. E condenamos todas as formas de discriminação, enquanto trabalhamos juntos para levar a mudança adiante.”