A ministra da Coesão Territorial afirmou esta terça-feira que a aposta no aeroporto de Beja se prende com a “necessidade de dar viabilidade e sustentabilidade” aos investimentos já existentes no país, ressalvando que é a favor do aeroporto do Montijo.

No nosso país há investimento feitos e sobretudo aqueles são no interior têm de ter viabilidade, têm de ter sustentabilidade, portanto isso não significa que, com isto, esteja a menorizar outros investimentos, nomeadamente o aeroporto do Montijo”, declarou Ana Abrunhosa, numa audição parlamentar na comissão de Administração Pública, Modernização Administrativa, Descentralização e Poder Local, na Assembleia da República, em Lisboa.

Numa entrevista ao Eco publicada na segunda-feira, Ana Abrunhosa foi questionada sobre a possibilidade de se apostar no aeroporto de Beja e usar fundos comunitários para fazer uma ligação ferroviária a Lisboa, respondendo: “E quem lhe disse que isso não está no nosso horizonte? Tem de falar com o senhor ministro das Infraestruturas e Habitação. É um domínio que é deles […]. Em primeiro lugar, antes de estar sempre a criar novo, temos de potenciar aquilo que temos”.

Já esta terça-feira, questionada pelo deputado do PSD Carlos Peixoto sobre a possibilidade de o Governo apostar no aeroporto de Beja ao invés do novo aeroporto do Montijo, a ministra disse que “o que faz sentido no âmbito da coesão territorial, que é o desígnio deste ministério, é partir dos investimentos que existem no território dar-lhes viabilidade e sustentabilidade”.

A ministra defendeu, assim, a aposta no aeroporto de Beja, sublinhando que “esta resposta ou o eventual mal-entendido que possa gerar não vai comprometer o trabalho articulado” entre o Ministério da Coesão Territorial e o Ministério das Infraestruturas e da Habitação.

Não vai sequer pôr em causa os planos de investimentos para as próximas décadas”, indicou Ana Abrunhosa.

A referência ao aeroporto de Beja faz parte de “promessas que já foram repetidamente feitas neste território”, apontou a governante, considerando que, enquanto ministra da Coesão Territorial, não pode deixar isso no esquecimento.

Todos já ouvimos falar dessas promessas, reiteradamente e em vários Governos”, frisou.

Para a deputada do PS Alexandra Moura, o objetivo do PSD ao questionar sobre o aeroporto de Beja era “criar ruído”, mas Carlos Peixoto rejeitou a intenção de fazer “número político”, assegurando que o objetivo era saber se havia uma alteração de estratégia no âmbito do Governo.

Neste sentido, a ministra da Coesão Territorial sublinhou que a aposta no aeroporto de Beja “foi o expressar de uma opinião, não foi uma interferência” no trabalho do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, acrescentando que o ministro que tutela esta pasta “sabe o que faz”.

Se quer a opinião desta ministra sobre o aeroporto do Montijo, é positiva e mais cedo do que nunca, ou seja, quanto mais cedo melhor”, declarou Ana Abrunhosa, referindo que é preciso que os autarcas se entendam sobre este investimento no território.

A ANA e o Estado assinaram em 08 de janeiro do ano passado o acordo para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, que prevê um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028 e inclui a extensão da atual estrutura, Aeroporto Humberto Delgado (em Lisboa), e a transformação da base aérea do Montijo, prevendo-se aumentar a capacidade aeroportuária da capital para até 50 milhões de passageiros.

A associação ambientalista Zero moveu uma ação judicial contra o Estado para impugnar a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) que viabiliza o aeroporto do Montijo, nos arredores de Lisboa, segundo documentos a que a Lusa teve acesso no dia 17 de julho.

A Agência Portuguesa do Ambiente foi notificada da ação, estando a preparar a resposta, disse a entidade à Lusa, na segunda-feira.