A edição deste ano da OPA — Oficina Portátil das Artes culmina com as atuações ao vivo, no sábado e no domingo, dos 12 formandos daquele projeto pedagógico e artístico destinado a jovens da Área Metropolitana de Lisboa.

A OPA é um projeto pedagógico e artístico de raiz intercultural, promovido há mais de dez anos pela Associação Sons da Lusofonia, pelo qual já passaram, enquanto formandos, Mynda Guevara e Estraca.

O ‘rapper’ do Bairro da Cruz Vermelha, na zona lisboeta do Lumiar, “participou, pela primeira vez, numa edição OPA em 2009 quando tinha apenas 12 anos e uma vontade enorme de dar asas ao seu sonho associado à música”.

Em março, em entrevista à Lusa a propósito da edição do álbum “Dar Vida”, Estraca falou da OPA como um projeto “mesmo muito importante” na sua vida e carreira.

“Eu queria fazer isto [rap], mas não sabia muito bem como, nem muito bem se queria fazer isto para sempre”, partilhou na altura.

Com a OPA, Estraca participou em concertos no centro de Lisboa, “porque o projeto tinha aquela ‘cena’ de levar a periferia ao centro” e contactou com ‘rappers’ e músicos que partilhavam histórias que o iam motivando “e fazendo acreditar que é possível”.

Estraca reconheceu que foi a OPA que lhe “abriu o mundo”, e ele soube “aproveitar as oportunidades”. “Soube agarrar bem as oportunidades, que é muito importante”, disse.

Este ano, a organização recebeu 65 inscrições, o triplo face a 2019, o que levou a que o número de formandos tenha aumentado de oito para 12.

De acordo com o músico e produtor Francisco Rebelo (Orelha Negra e Fogo Fogo), da direção artística e pedagógica da OPA, este ano, “mesmo estando ligados na raiz do hip-hop, esteticamente há artistas muito diversificados e com necessidades de acompanhamento muito diferentes”.

“Entre os 12, alguns estão em fase inicial e vão estrear-se em absoluto no concerto e alguns já com têm alguns anos de experiência, mas que precisam de apoio e encaminhamento”, contou.

Escolher estes 12 projetos entre os 65 inscritos “não foi fácil”. “Teve que ver com a necessidade de termos que apresentar projeto que de alguma forma fossem inovadores, diferentes, e que possam traduzir, dentro do hip-hop e não só, outras linguagens, outros caminhos, outras visões, outras narrativas”, disse.

A formação tem decorrido ao longo do mês de julho e incluiu oficinas presenciais com, entre outos, Francisco Rebelo, os ‘rappers’ Sam The Kid e Fumaxa, e o baterista Fred Stone.

Devido à pandemia da covid-19, a formação teve também uma vertente ‘online’, com sessões onde foram abordados temas como Comunicação, Assessoria de Imprensa e Redes Sociais, Management e Edições Independentes, Distribuição Digital, Agenciamento e Gestão de Direitos.

É agora chegada a altura de os jovens talentos mostrarem o seu talento ao vivo, a partir do auditório da World Academy, em Lisboa, com transmissão em direto através das plataformas digitais da OPA.

Maya e DJ Kope serão os apresentadores do evento, a decorrer no sábado e no domingo com início pelas 18:00, que marca o fim da edição deste ano da OPA e o início do percurso artístico de Adilan, Chakuth, Deadflyingthings, F40, Kravy, Kra Z Mic, Noiatt, Noledge, SKB Angola, Sking G & Leo-OFG, Tender Grasp e Zeka.

A edição deste ano da OPA é feita em coprodução com a produtora / editora NISCHO – Projectos Criativos.