A fábrica da Nissan em Barcelona vai mesmo fechar, mas só em Dezembro de 2021. Isto é, um ano mais tarde do que o que inicialmente foi comunicado.

Quando a Nissan anunciou que encerraria a sua fábrica de Barcelona no final de 2020, o choque foi brutal. Não para o construtor, que pretende evitar despesas com uma fábrica que há muito não trabalhava a tempo inteiro e que ficou ainda mais periclitante com o anúncio da morte do Classe X da Mercedes, produzido na mesma linha da Nissan Navara, o que colocou a unidade fabril a laborar a 80% do ritmo de produção máximo. O choque foi sentido sobretudo pelos catalães, pois o fecho representará mais um importante rombo na economia, tratando-se da segunda maior fábrica da região (depois da Seat) e a segunda maior do fabricante japonês na Europa, pelo que o seu fecho acarreta necessariamente perda de impostos e de postos de trabalho.

Nissan quer fechar as fábricas de Barcelona

Assim que o encerramento da unidade fabril da Catalunha foi anunciado, não faltaram as manifestações contra a decisão da Nissan, mas também contra o próprio construtor. A ministra das Empresas do Governo da Catalunha, Angels Chacón, ameaçou a Nissan com a possibilidade do custo do encerramento poder vir a ser superior ao investimento necessário para continuar a produzir novos modelos, referindo um valor de mil milhões contra apenas 300 milhões. Mas nem a Nissan Europa ou a casa-mãe no Japão pareceram muito sensíveis aos argumentos, segundo o El País. Muito provavelmente, porque acreditam que poderá carecer de suporte legal.

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A Nissan permanece irredutível quanto à necessidade de reduzir a capacidade de produção e os custos de operação, para se tornar viável, mas como o tom das ameaças continua a subir, com acusações de deslealdade e de desprezo pelos catalães, os responsáveis japoneses cederam, mas apenas parcialmente.

Além de adiar o fecho, a Nissan comprometeu-se a colaborar com o Governo espanhol e catalão para agilizar a venda da fábrica de Barcelona. Na realidade, não se trata apenas de uma fábrica mas sim de três, pois a instalação principal de Barcelona, na zona franca tem mais duas fábricas satélite que dependem da principal unidade industrial. Ao todo estão envolvidos 3000 trabalhadores directos e cerca de 20.000 indirectos.