O Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) regressa entre 09 e 18 de outubro, com 14 espetáculos, um dois quais um concerto, estando a lotação das 10 salas, limitada a 50%.

Sob o tema “Limites do Humano”, a edição de 2020 propõe-se explorar discursos e pensamentos sobre as ciências e a política, com uma programação que inclui ainda um ‘concerto-performance’, três ‘workshops’ ‘online’ e as duas ‘masterclasses’.

Realizada em contexto de pandemia, a 31.ª edição do FIMP conta com a participação de seis países – Holanda, Cabo Verde, Bélgica, França, Espanha e Portugal -, num total de 25 apresentações que acontecem em dez salas de espetáculo do Porto e de Matosinhos.

“Esta é uma edição marcada pelo surto de um vírus [covid-19] que poderá ter vindo para ficar por uns tempos. Neste contexto, procuramos o mais possível manter o programa inicialmente previsto. Deste modo, assumimos os nossos compromissos com os artistas, as equipas, as instituições parceiras e claro, o público”, salientou o diretor artístico do festival, Igor Gandra, reiterando as palavras que escreveu no texto de apresentação da edição de 2020.

Na conferência de imprensa, o diretor artístico reconheceu que, dadas as circunstâncias atuais, não foi possível desenvolver o modelo habitual em que os alunos das escolas artísticas do Porto eram integrados na vida do festival, tendo-se optado por criar momentos de contacto próximo com os artistas desta edição.

Apesar das contingências, Igor Gandra considera que apresentar a edição deste ano, num contexto como o que Portugal enfrenta, “é mesmo importante”, na medida em que mantém vivo e ativo o trabalho de mais de 200 pessoas.

Depois de, em 2019, celebrar 30 anos, o festival arranca a 09 de outubro com “Kamp”, dos holandeses Hotel Modern que, o diretor artístico do FIMP descreve um espetáculo “impressionante” e atual face ao “crescimento assustador de tendências extremistas e racistas às quais é preciso estar muito atento”

Em palco estará uma maquete “enorme”, representando o campo de extermínio nazi Auschwitz-Birkenau, com casernas sobrelotadas e milhares de marionetas de sete centímetros, que representam os prisioneiros e os seus carrascos.

No ano em que se assinalam os 75 anos da libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho, neste espetáculo, o público é a testemunha silenciosa do assassínio em massa, cometido numa cidade construída para o efeito.

A edição de 2020 do festival encerra com uma produção proveniente da Bélgica: “Cratère 6899”, de Gwendoline Robin, é “uma brecha” que conduz o público às origens do mundo, quando os cometas colidiram com a terra.

A 10 de outubro, no Teatro Campo Alegre sobe ao palco “Bad Translation”, de Cris Blanco, Espanha, que retoma o mito do escultor que deseja atribuir vida à sua criação.

Do programa, destacam-se ainda os espetáculos “Uma Coisa Longínqua”, do Teatro de Ferro & Carlos Guedes, “O Fim do Fim”, da Alma d’Arame & Companhia João Garcia Miguel, e “Lições de Voo”, pelo Teatro de Marionetas do Porto.

Filipe Moreira, vencedor da quarta bolsa de criação Isabel Alves Costa, apresenta, em estreia absoluta, o espetáculo “Fibra”, a que se juntam outras estreias como “O que já não é e o que nunca foi”, de Joaclécio Azevedo, e “O Cheiro dos Velhos”, do Grupo Cultural Português do Mindelo & Teatro de Marionetas do Porto, em estreia nacional.

O espetáculo “Lilliput”, da bailarina espanhola residente em Portugal, Ainhoa Vidal, em estreia absoluta no FIMP’20, é outra das produções em destaque.

Dos 13 espetáculos, sete têm lugar no Teatro Municipal do Porto (TMP). Quatro são espetáculos internacionais, três dos quais em estreia nacional, revelou Tiago Guedes, diretor do TMP.

Na conferência de imprensa de apresentação do programa do FIMP’20, este responsável lembrou ainda que, tal como acontece com a programação do TMP, a lotação das salas será limitada a 50% da sua capacidade, cumprindo as normas da Direção-Geral da Saúde.

Os palcos do Teatro Municipal do Porto – Rivoli e Campo Alegre -, do Teatro Nacional São João – Teatro Carlos Alberto, do Palácio do Bolhão, Círculo Católico do Porto e da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto, assim como a sala icónica do Teatro Constantino Nery, em Matosinhos, acolhem este ano o Festival de Marionetas do Porto.