Associações portuguesas uniram-se para celebrar esta terça-feira o primeiro Dia Europeu do Cuidador que visa alertar para o “papel inestimável” dos cuidadores informais e a necessidade de serem reconhecidos, apoiados e capacitados por toda a Europa.

Consciente da diversidade de datas na celebração do dia do cuidador no espaço europeu, e no sentido de ter “uma voz síncrona europeia”, a Eurocarers, a maior rede europeia de cuidadores informais, com mais de 70 organizações de mais de 20 países, decidiu promover o Dia Europeu do Cuidador a 6 de outubro, e apelar à participação de todos.

Em Portugal, associaram-se à celebração a Cuidadores Portugal, a Associação Nacional de Cuidadores Informais (ANCI) e a Because I Care – Associação para Apoiar e Cuidar de Pessoas que Cuidam, adiantam em comunicado as organizações.

Um estudo recente, financiado pela União Europeia, revela que os cuidadores informais na UE prestam mais de 80% de todos os cuidados, enfrentando, muitas vezes, desafios sociais, profissionais, de saúde e financeiros que os impedem de atingir todo o seu potencial.

Em Portugal, o número estimado de cuidadores informais é de mais de 800 mil. “O seu reconhecimento legal é já uma realidade, mas os cuidadores têm muita dificuldade em aceder ao mesmo”, sendo fundamental a sua desburocratização, defendem as associações.

“Em Portugal vivemos um consenso político para a necessidade de apoiar os cuidadores informais. Foram dados passos significativos aumentando”, por exemplo, o número de camas nos cuidados continuados, promovendo mais capacidade de descanso do cuidador, definindo-se mais planos individuais de apoio pelas equipas de saúde e sociais, mas é preciso “regulamentação mais efetiva”, afirma o presidente da Cuidadores Portugal, Bruno Alves.

Bruno Alves sublinha que, “com o reconhecimento legal”, seria de esperar que estes tivessem melhores condições de vida, mas a verdade é que a maioria dos cuidadores luta ainda contra a enorme sobrecarga económica, física e emocional”.

Por isso, “é urgente continuar a agir e apoiar os cuidadores informais portugueses”, devendo os projetos-piloto ser traduzidos num “apoio prático e efetivo a nível nacional o mais rapidamente possível”, defende.

Para responder às necessidades dos cuidadores informais europeus, a Eurocarers defende medidas para haver “sociedades amigas dos cuidadores por toda a Europa”.

Para isso, desenvolveu uma estratégia de 10 etapas para melhorar a vida dos cuidadores informais, entre as quais o seu reconhecimento legal, o apoio de parcerias multidisciplinares para os serviços de cuidados integrados comunitários e valorizar o “descanso do cuidador”.

Embora tenham sido feitos alguns progressos, não foram suficientes ou suficientemente rápidos para garantir que todos os cuidadores informais sejam totalmente apoiados pelos sistemas de saúde e segurança” diz o diretor-executivo da Eurocarers, Stecy Yghemonos.

“Em tempo de pandemia global, é mais importante que nunca, consciencializar sobre as necessidades dos cuidadores informais e reconhecer o seu papel fundamental e central nos sistemas de saúde e cuidados a longo prazo, acelerando o seu desenvolvimento em todos os países e regiões da Europa”, protegendo a sua saúde e bem-estar, defende Stecy Yghemonos