Uma investigação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras descobriu uma nova rota de imigração ilegal a partir de Marrocos para Portugal, avançou o Diário de Notícias na terça-feira. Depois de confirmada a rota, a GNR e a Marinha foram chamadas a colaborar para prevenir novos desembarques de imigrantes ilegais e para reforçar a vigilância.

Segundo o DN, o SEF recolheu mapas e vídeos filmados por alguns dos migrantes, o que permitiu reconstruir parte do trajeto feito desde Marrocos para Portugal. Pela investigação feita pelo SEF, seis embarcações foram investigadas e todas partiram do mesmo ponto: El Jadida, na costa atlântica de Marrocos, sendo que todas desembarcaram na costa portuguesa, com entrada pelo Algarve. O trajeto demora em média 40 a 50 horas.

As filmagens foram feitas através dos telemóveis de alguns migrantes durante uma das viagens. E foram analisadas pelos inspetores do SEF através de pontos de referência. “Sempre que era observado algum ponto de referência, na costa ou no mar, como, por exemplo, navios ou outras embarcações, foi feito o cruzamento de dados e com isso confirmou-se a exata localização por onde estavam a passar”, explica um responsável da equipa ao Diário de Notícias.

A conclusão da investigação, segundo o DN, foi dada a conhecer ao governo há poucos dias, já depois da chegada do último barco com 28 migrantes, no passado dia 15 de setembro, sendo que o Governo tem desvalorizado a existência de redes de imigração ilegal em Portugal. Em junho, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, afirmava que Portugal “não deve cair no ridículo” ao considerar que existe uma rede de imigração ilegal para o Algarve. “Não dramatizo aquilo que vejo ser muito discutido, nós não devemos cair no ridículo, devemos antecipar e ter rigor na investigação”, dizia na altura numa audição no Parlamento.

Também Augusto Santos Silva desvalorizou o assunto, afirmando na altura que “não se podia falar de rota” de migração para o Algarve. “Temos registo nos últimos seis meses, de 46 pessoas, por aí, que aportaram ao Algarve em pequenas embarcações inseguras, e portanto isso não é uma dimensão que nos deva fazer falar de rotas”, disse.