A Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Algarve cedeu terrenos ao município de Faro para o desenvolvimento e implementação de um projeto de hortas sociais direcionado a famílias carenciadas do concelho, segundo um protocolo esta segunda-feira assinado.

Os 2.500 metros quadrados de terrenos da DRAP-Algarve na zona do Patacão, nos arredores da capital algarvia, vão ser divididos em 50 talhões e entregues a cerca de meia centena de famílias.

O regulamento desta nova horta social “está a ser ultimado”, devendo ser aprovado “até ao final do mês” e a expectativa é de que as famílias possam ir para o campo no início de 2021 num regime de “contrato de um ano renovável”, afirmou aos jornalistas o presidente da Câmara de Faro, após a assinatura do protocolo de cedência de terrenos.

Rogério Bacalhau revelou ainda que agora se vão iniciar os trabalhos de preparação do solo, vedação e a criação de um acesso dedicado ao terreno.

Este é um projeto de agricultura de subsistência centrado na “produção de hortícolas da época” de regadio em regime biológico e os novos agricultores terão o apoio dos técnicos da DRAP Algarve.

Não querendo fazer uma ligação direta à pandemia de Covid-19, o autarca confessou que a atual situação poderá ter “acelerado a vontade de desenvolver o projeto”, que espera que possa vir a ser uma “ajuda às famílias e às pessoas que nesta altura têm alguma carência”.

Para o presidente da DRAP-Algarve, o protocolo insere-se nas “iniciativas de responsabilidade social da instituição”, que vai proporcionar “formação e apoio técnico” para que os novos agricultores possam “desenvolver uma atividade que exige cada vez mais técnica”.

As culturas “terão de ser conduzidas dentro do regime de produção biológica” e a DRAP vai “sensibilizar e dar condições” para que os subprodutos da produção agrícola “sejam alvo de compostagem” para serem reintroduzidos no solo, avançou Pedro Valas Monteiro.

Além da componente da horta social, o presidente da DRAP-Algarve considerou importante desenvolver também a da horta comunitária, numa visão da “agricultura como atividade de lazer ou de terapia”, que pode servir como “tratamento à saúde mental”.

Este é um modelo que o dirigente quer ver replicado pela região, estando em preparação um protocolo com a Câmara de Monchique para a transferência de parte da coleção da variedade “pêro-de-monchique” do Centro de Experimentação Agrária (CEA) de Tavira para a sua origem.

Também no âmbito do processo de recuperação do CTA de Tavira, poderá surgir uma parceria com a autarquia local para a criação de uma horta comunitária, informou.