No final do encontro, já depois de ter visto o cartão amarelo na zona técnica no quinto minuto de descontos, o olhar focado e o sorriso sarcástico de Sérgio Conceição para o árbitro Hélder Malheiro mostrava bem a insatisfação dos dragões com algumas decisões disciplinares sobretudo após a expulsão de Zaidu com dois amarelos. No entanto, e naquilo que ficou de mais importante, o FC Porto quebrou a série de três jogos sem ganhar entre Campeonato e Liga dos Campeões com uma estreia de sonho de Evanilson como titular, no Dragão e na Primeira Liga.

Sérgio inovou, falhou e voltou a trocar mas a melhor tática é a mais simples: ter Corona (a crónica do FC Porto-Gil Vicente)

“São meninos que chegam ao FC Porto, um clube com esta dimensão, estão a fazer o seu trabalho e a adaptarem-se da melhor forma. Têm qualidade, humildade, estão a fazer o seu caminho, mas temos de dar algum tempo, apesar de que num clube grande não há muito tempo, não sei se está a perceber o que estou a dizer…”, comentou no final da zona de entrevistas da SportTV após o encontro. Antes, tinha sido o brasileiro a comentar a exibição.

“Semana de sonho? Sem dúvida, é a semana mais importante para mim. Consegui a estreia com esta camisola, importante e pesada, assim como na Champions, uma competição importante mundialmente. Eram sonhos que pude agora realizar. Fico feliz até por ganhar este prémio de melhor em campo. O jogo teve um começo um pouco difícil para acertar as marcações mas o trabalho da equipa foi o mais importante e conseguimos o golo. No segundo tempo, a nossa equipa soube sofrer e o mais importante foram os três pontos conquistados”, referiu.

A maioria dos brasileiros demoram a adaptar-se a outras realidades. Procurei trabalhar, aprendi muito com o treinador Sérgio Conceição e esperei muito por esta oportunidade. Vou continuar a trabalhar e ajudarei no que for melhor para a equipa”, rematou o antigo avançado do Fluminense.

Convocado para a seleção olímpica do Brasil, suplente utilizado na Champions e MVP na estreia no Campeonato, Evanilson tornou-se o estrangeiro mais novo nos últimos 60 anos a marcar no primeiro jogo na principal prova do calendário nacional, sendo o quinto jogador chegado do Fluminense a alinhar com a camisola dos azuis e brancos depois dos mais recentes Carlos Alberto, o Feijão que marcou o primeiro golo na final da Liga dos Campeões de 2004, e Branco, um dos melhores laterais esquerdos brasileiros na história dos dragões. Em paralelo, o avançado foi também o primeiro a marcar no jogo inicial da Primeira Liga depois de Soares, em 2017.

“Foi um jogo difícil mas mais pela ineficácia ofensiva. Não entrámos bem, pensámos em dar dinâmica à equipa com gente que conseguisse por dentro, com jogadores criativos como Nakajima e Fábio Vieira, para dar possibilidade de criar espaço onde havia pouco, e dando largura e profundidade ao Corona e ao Manafá com dois avançados na frente. Foi uma dinâmica arrojada mas não é por ter muitos na frente que se cria perigo. Depois ajustei e criámos algumas situações. Para a segunda parte corrigi ainda mais e criámos cinco ou seis ocasiões claras de golo, até um penálti. Se estivéssemos bem na finalização tinha sido um resultado volumoso”, frisou Conceição, antes de responder ao homólogo do Gil Vicente, Rui Almeida, que considerou que o FC Porto se adaptou ao Gil Vicente.

“Acha mesmo que jogando com três defesas e sete na frente é adaptar a alguma equipa? Isso é criar um volume de jogo muito grande e amassar o adversário. O Gil Vicente conseguiu controlar com alguma agressividade na primeira meia hora mas mesmo assim tivemos oportunidades. Estava convicto de que assim íamos criar grandes dificuldades. O jogo dá coisas diferentes e vou ajustando, é para isso que me pagam. Se fizéssemos quatro ou cinco golos ninguém se escandalizava com isso”, destacou o técnico dos azuis e brancos.