Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Paul Pogba é normalmente interpretado como uma espécie de bode expiatório. Quando as coisas não estão a correr bem, seja no clube ou na seleção francesa, é o primeiro a ser responsabilizado. Pode acontecer ter culpa, pode acontecer estar inocente: mas Pogba é normalmente o bode expiatório. Tem sido no Manchester United, durante a fase menos positiva dos ingleses no último mês; e foi também em França, na sequência da derrota da equipa de Didier Deschamps no particular com a Finlândia.

Até Portugal. Contra Portugal, no Estádio da Luz e no jogo que garantiu à seleção francesa o apuramento para a final four da Liga das Nações, Pogba foi um dos melhores em campo e o grande pêndulo da equipa. E depois da partida, não escondeu que as semanas que passa dentro do grupo convocado por Deschamps são uma bolha de oxigénio para escapar ao mau momento do Manchester United. “Este é um período pelo qual nunca passei na minha carreira. A seleção nacional é uma lufada de ar fresco. Estou muito contente por vir cá e estamos todos muito felizes por nos vermos todos outra vez. Não é a mesma coisa que com o clube… Aqui, todos em grupo, é mágico. Percebemos que todos estão felizes por virem e isso faz diferença”, explicou o médio de 27 anos, deixando algumas farpas ao clube inglês.

“Estamos todos entusiasmados, alegres, é verdade que saboreámos mesmo [a vitória com Portugal]. Jogámos como uma equipa madura. Atacámos e defendemos juntos, como um só, e voltámos a ter esta sensação que tivemos no Mundial… A resposta foi rápida e imediata depois da derrota com a Finlândia e vamos lembrar-nos sempre deste jogo (…) O nosso objetivo é ganhar o Europeu. Queremos ganhar, não significa nada se não formos até ao fim. Precisamos de continuar o que fizemos no Mundial”, terminou Pogba, deixando em cima da mesa a ideia de que, esta terça-feira, França não iria tirar o pé do acelerador no jogo contra a Suécia — mesmo tendo o apuramento já garantido.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Apesar disso, Deschamps não deixou de fazer algumas alterações ao onze e lançou Sissoko, Thuram e Giroud na equipa titular, deixando Coman e Martial no banco. Mbappé voltou a começar no banco e Kanté, o marcador do golo que eliminou Portugal da final four da Liga das Nações, estava castigado. A Suécia, do outro lado, precisava de ganhar para ainda lutar pela manutenção na Liga A — ao mesmo tempo que esperava por uma vitória de Portugal na Croácia.

O jogo começou bem para os suecos, com Claesson a abrir o marcador logo nos instantes iniciais (4′). A resposta, porém, apareceu por intermédio de Giroud, que empatou (16′), e do lateral Pavard, que deu a volta ao resultado ainda na primeira parte (36′). Na segunda, Giroud bisou e aumentou a vantagem francesa e Quaison, já nos instantes finais, reduziu o resultado para a Suécia. Nos descontos, porém, Coman fechou as contas em 4-2 (90+4′) e afastou definitivamente os nórdicos da Liga A, com a Croácia a permanecer por pouco no principal escalão da fase de grupos.

França terminou a fase de grupos da Liga das Nações sem derrotas — só com um empate, em Paris contra Portugal — e na liderança do Grupo 3, apurada para a final four que vai agora disputar com Espanha e com outros dois adversários a conhecer esta quarta-feira. Pogba disse, antes do jogo com a Suécia, que a seleção de Didier Deschamps tinha de volta aquilo que sentiu durante o Mundial que conquistou há dois anos. E nota-se.