O branco predomina, sugestão de que talvez tenhamos acabado de entrar num mundo paralelo, onde técnicas e preceitos há muito postos em prática são sublimadas por novos avanços tecnológicos e científicos. A Páris Clinics está aberta há menos de dois meses e há, sem dúvida, algo de milagroso no que aqui se faz. A medicina estética e a cirurgia plástica, conceitos diferentes e nem sempre aliados, democratizaram-se e deixaram de ser um luxo inatingível para a maioria.

A primeira, sobretudo, projeta a forma como, amanhã, a mão humana irá intervir sobre a beleza física e na implacável luta contra o tempo. O futuro é menos invasivo e tende a privilegiar procedimentos não cirúrgicos. Sofia Carvalho é a diretora clínica e não tem dúvidas quanto à direção em que a pesquisa laboratorial está a fazer evoluir o setor. As grandes cicatrizes fazem parte de um passado cada vez mais longínquo, a nova era da medicina estética é a do ácido de hialurónico, dos feixes laser e das microfibras óticas quase impercetíveis quando atuam sob a pele.

A entrada da clínica © Divulgação

Na nova clínica, localizada no centro de Lisboa, a tecnologia de ponta foi uma das prioridades. A par com a “excelência do corpo clínico”, expressão usada pelo proprietário, o empresário João Páris, é sobre o equipamento que recai o orgulho de quem aqui trabalha. Feitas as contas, foram 400 mil euros de investimento, entre máquinas revolucionárias e protocolos de tratamento ainda pouco difundidos. Se esta clínica fosse uma garagem, estaria cheia de topos de gama.

Do primeiro ácido hialurónico 100% natural ao rejuvenescimento vaginal

É Sofia Carvalho a apresentar-nos as joias da coroa da Páris Clinics. Não é por acaso que começa pelo ácido hialurónico desenvolvido pela suíça Neauvia. “É o primeiro laboratório do mundo a produzir um ácido hialurónico 100% natural e biocompatível, o que significa que não existem reações — aquelas que as pessoas dizem ser de rejeição –, que o inchaço após o tratamento é muito menor e que é o único ácido hialurónico que resiste ao calor. É por isso que o combinamos com dispositivos laser”, explica a cirurgiã plástica, que ao longo dos anos aprofundou conhecimentos na área da medicina estética.

Se até aqui misturar ácido hialurónico e laser, ou até mesmo radiofrequência, no mesmo tratamento não era possível — falamos de ácidos sintetizados em laboratório, por oposição a este, produzido em laboratório a partir de uma bactéria chamada bacillus subtilis –, agora há uma máquina (não se chama Ferrari, mas chama-se Zaffiro) que combina tudo isto numa única sessão. Ao mesmo tempo que atua enquanto agente de preenchimento, estudos clínicos apontam para aumentos expressivos da hidratação e da elasticidade da pele. O NLift, como é conhecido é composto por duas sessões de 40 minutos, feitas com uma semana de intervalo. Os preços começam nos 750 euros.

Imagem do tratamento que usa microfibra ótica © Divulgação

“Somos os únicos a fazer isto em Portugal e por isso estamos a dar formações a outros médicos. Para nós, é muito importante que a clínica seja vista também como centro de formação”, continua Sofia, que apenas começou a percorrer a lista de máquinas e procedimentos revolucionários. A mesma máquina é ainda responsável por fazer aquilo a que Sofia Carvalho chama “hidropeeling” ou peeling por hidroesfoliação. Químicos como o ácido tricloroacético, o ácido ascórbico e o fenol cedem lugar ao potente jato de água com efeitos no brilho e na textura da pele, reduzindo os sinais de envelhecimento e aumentando a firmeza.

De uma das gavetas da sala de tratamentos tira um pedaço de fio, tão fino como um cabelo. “É uma microfibra ótica. Com ela consigo, sem cortes, injeções ou dor, andar dentro da pele a tratar a flacidez. Ou seja, faço um lifting não cirúrgico e ainda consigo remover ou reduzir alguma gordura localizada. Em termos tecnológico, isto é o máximo com que um cirurgião plástico pode sonhar”, adiciona.

A lista continua. Ladylift, o protocolo de rejuvenescimento vaginal com procura crescente no mercado, é outra das apostas da Páris Clinics. Segundo a diretora clínica, tudo começa com radiofrequência intravaginal, seguida de um tratamento com laser, tudo indolor e sem necessidade de anestesia. As interessadas têm ainda à disposição um ácido hialurónico especialmente concebido para esta região genital. “Com o envelhecimento, que nas mulheres é mais visível, os grandes lábios ficam atrofiados. O rejuvenescimento consiste precisamente em preenchê-los”, detalha.

A utilização de tecidos autólogos é outra das técnicas familiares para Sofia Carvalho. Destaque para o uso do plasma sanguíneo do próprio paciente na regeneração da pele, através da estimulação da síntese do colagénio. “Sejam liftings ou cirurgias da mama, nunca deixo as minhas clientes ficarem com cicatrizes feias”, desabafa. Zelosa de um acompanhamento holístico, sobretudo no que diz respeito à complementaridade entre cirurgia plástica e medicina estética, mas também no que toca à vertente nutricional, fala ainda de tratamentos de rejuvenescimento não cirúrgico em que é usada gordura dos próprios pacientes, uma importante fonte de células estaminais.

O principal gabinete de tratamentos © Divulgação

Radiofrequência, microneedling, eletrofulguração, hidroesfoliação — palavrões que fazem parte da atual evolução da medicina estética, que na Páris Clinics também se alia a serviços de maquilhagem — um serviço pós-cirúrgico especializado para pacientes que não se possam ausentar de uma agenda de trabalho, por exemplo –, mas também à fisioterapia. É nesta área, numa outra sala, que damos de caras com a Emsculpt, a menina dos olhos de João Páris e de toda a equipa da clínica. O que é que faz? Mistura radiofrequência com ondas acústicas. Tonifica os músculos, mas também elimina gordura, podendo, no limite, substituir a clássica abdominoplastia. Resumindo: um pequeno milagre (pago como tal — a começar nos 250 euros por sessão).

“O que é que vocês fazem na urgência? Põem mamas?”

“É o que me distingue dos outros cirurgiões plásticos: a combinação das vertentes cirúrgica e não cirúrgica da melhor forma e adequada a cada paciente”, esclarece a diretora clínica. Formou-se na Faculdade Medicina da Universidade do Porto, mas foi no Hospital de São José, em Lisboa, que deu os primeiros passos práticos como cirurgiã plástica. “Um cirurgião plástico tem uma formação muito rica, tratamos desde o cabelo às unhas dos pés. As pessoas não têm muito bem a noção disso. Às vezes ainda ouço: O que é que vocês fazem na urgência. Põem mamas?”, refere.

Da passagem pelo serviço nacional de saúde, em especial pelo referido hospital, guarda a imagem de uma escola — “de vida”, mas também da própria especialidade. “A nossa urgência era a pior. Às vezes atravessava os claustros de madrugada e estava toda a gente a dormir, só a Cirurgia Plástica estava a trabalhar”, continua. Dos politraumatizados graves aos vários graus de queimaduras, passando por amputações e ressecções oncológicas, o hospital público foi o verdadeiro teste. “A nossa formação é muito boa. Ao contrário do que acontece noutros países da Europa, onde não podem operar durante o internato, saímos logo com cirurgias no currículo.

Sofia Carvalho, cirurgiã plástica e diretora clínica da Páris Clinics © Divulgação

O percurso profissional levou-a também para clínicas privadas, depois de ter investido em formações na área da medicina estética. Terminada a especialidade, migrou definitivamente para o setor privado, mais precisamente para a Clínica Milénio. “Também foi uma escola. Estive lá seis anos e posso dizer que operei milhares de pessoas, algumas com complicações. Tive muitas e é importante aprender a tratá-las. Aliás, é assim que se vê um bom médico. Os casos fáceis todos operam, mas mamas que já foram operadas três vezes por outro médico já é mais difícil e eu tive oportunidade de fazer isso muitas vezes”, remata.

Continuar a servir um número crescente de pacientes com os últimos avanços desta área é o principal objetivo de Sofia Carvalho, mas parte da estratégia para a Páris Clinics passa também pela formação de outros profissionais. “Com esta equipa e com o que nos propusemos a fazer, temos condições para ser os melhores em Portugal. Mas também estamos a investir nesta clínica como centro de formação, por onde já passaram outros médicos para aprender técnicas que estamos a desenvolver”, afirma.

A nova corrida à medicina estética

Sofia trouxe consigo uma legião de pacientes. É claro que, além dos tratamentos e máquinas mais avançadas, aqui continuam a fazer-se intervenções clássicas, das lipoaspirações e implantes ao botox. O primeiro e único confinamento total, em março e abril deste ano, desencadeou, segundo a cirurgiã, uma corrida ao consultório. O número de procedimentos aumentou. Sofia culpa as máscaras e o Zoom.

Recuando mais no tempo, fala ainda de uma área que se tem democratizado. Já lá vai o tempo em que eram mulheres mais velhas e de um estrato social alto que procuravam soluções junto da medicina estética. A procura tem sido progressivamente diluída entre as camadas mais jovens, mas também noutros estratos sociais. Os homens são um público em ascensão: procuram sobretudo lipoaspirações e correções de olheiras e pálpebras.

Nome: Páris Clinics
Morada: Rua Mouzinho da Silveira, 27B, Lisboa
Telefone: 21 160 5264
Horário: de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 19h