– Houve entretanto uma série de corridas que foram adiadas, outras canceladas. Tem alguma indicação de que o MotoGP possa passar pelos circuitos portugueses, Portimão e Estoril? Uma hipótese que também já foi levantada na Fórmula 1, pelo facto de na Europa a pandemia estar mais controlada.
– Sem dúvida alguma de que a hipótese de o Moto GP vir a Portugal esteve em cima da mesa. Honestamente, carece sempre do aspeto monetário que Portugal, neste momento, julgo que não tem disponível para ter cá a prova. Automaticamente, exclui-se o Grande Prémio de Portugal do calendário. A organização tem de garantir a estabilidade económica de todas as equipas e, por outro lado, tem de garantir que as coisas se fazem com o nível de exigência reconhecido pela Dorna, que é quem organiza o campeonato. Para mim, não escondo que era um sonho tornado realidade. O que é certo é que essa decisão, se me coubesse tomá-la, era automático, era vir para Portugal. Mas não é e as coisas são mais complexas do que se pode imaginar e neste momento Portugal parece não estar no horizonte da Dorna em 2020.
– Disse há pouco tempo, numa entrevista, que cumpriu um sonho de criança quando ouviu o hino nacional no Grande Prémio de Itália, ainda em Moto 3, depois da sua primeira vitória. Qual é o sonho de criança que ainda lhe falta cumprir?
– Um deles é vencer uma corrida de MotoGP em Portugal. Vai ter de acontecer, de uma maneira ou de outra. E o outro é ser campeão do mundo de MotoGP, sem dúvida alguma. Estar entre os melhores dos melhores já é fantástico, é indescritível, mas ser o melhor deles todos é que seria a cereja no topo do bolo. E é para isso que eu trabalho. E sinto realmente e acredito que tenho capacidade para isso.

Calculista, genial, perfeito: Miguel Oliveira faz (mais) história e conquista Grande Prémio de Portugal

A análise que Miguel Oliveira fazia a 8 de junho, em entrevista ao Observador, em relação à possibilidade de haver uma prova em Portugal acabou por não bater certo pelas próprias circunstâncias que a pandemia acabou por trazer ao Mundial de 2020. Todavia, e no que toca aos sonhos ainda por cumprir, um está atingido: ganhar em Portugal. A partir de 2021, já na equipa de fábrica da KTM que dará melhores condições para chegar aos lugares cimeiros, vai começar uma nova realidade para o piloto português… que poderá continuar a passar por Portimão.

Miguel Oliveira. “Era um sonho tornado realidade. Mas Portugal não tem o aspeto monetário para ter Moto GP”

“Não há contratos disponíveis para o ano, só eventualmente a partir de 2022 porque no próximo ano os circuitos todos estão sob contrato mas estou convencido que não vai haver Austin [Grande Prémio das Américas] e talvez também não haja Argentina, que é logo em abril, e estou muito convencido que nesse mês estaremos de novo em Portimão, mais uma vez. Por más razões mas penso que sim, não estou a ver em abril já se poder realizar Estados Unidos e Argentina. Se a pandemia passar, só viremos cá em 2022″, explicou à Rádio Observador Jorge Viegas, presidente da Federação Internacional de Motociclismo, após o triunfo de Miguel Oliveira. E, quem sabe, o português poderá até aparecer por terras algarvias como líder da KTM, que vai perder Pol Espargaró para a Honda.

[Ouça aqui a entrevista a Jorge Viegas na Rádio Observador]

Federação Internacional de Motociclismo. “Corrida de Miguel Oliveira foi mais que perfeita, foi uma lição”

“Estou particularmente feliz pelo Miguel porque ele será o piloto que ficará connosco no próximo ano e estará ao lado do Brad Binder na equipa de fábrica. Precisamos de um novo chefe de fila para 2021 e creio que o Miguel, com esta performance, tornou-se num forte candidato. Estou também feliz pelo Hervé Poncharal pois tornaram-se numa equipa fantástica em dois anos”, admitiu Pit Beirer, diretor de corridas da KTM, à Servus TV.

“Foi uma época fantástica agora com a terceira vitória com dois pilotos diferentes. Isso merece o reconhecimento de todos. Estou feliz pelo quinto lugar do Pol Espargaró no Mundial, é incrível. Na nossa quarta época no MotoGP, acabar em quinto no Mundial é algo difícil de acreditar. Além disso, tivemos o título de Moto3 hoje [Albert Arenas]. Vivemos uma experiência brutal. Preciso de algumas horas para processar estes sucessos mas vamos para a paragem de inverno motivados”, acrescentou, projetando já a próxima temporada.

Já Hervé Poncharal, chefe da Tech3, assumiu a tristeza pela saída do português, que irá ser rendido por Danilo Petrucci, mas regozijou-se pelo melhor final possível. “Estamos muito felizes pela vitória mas também por termos dado ao Miguel a possibilidade de vencer aqui. Sei que era muito importante para ele. Foi um fim de semana perfeito: um tempo fantástico, o circuito, a vitória, a pole position, o recorde da pista. Não podíamos ter pedido mais. A única coisa que me deixa triste é o Miguel ir para outra equipa mas foi muito bom… Como foi o dia? Agora sinto-me bem mas desde esta manhã foi tudo muito tenso. Durante a corrida praticamente não consegui falar nem fazer nada. Quando lideras uma prova de princípio a fim é muito difícil. Foram quase 25 voltas sem respirar!”, referiu o responsável da equipa, em declarações à SportTV.