O PSD de Loures apelou esta quarta-feira ao Presidente da Câmara Municipal, Bernardino Soares (PCP), para que impeça a realização do congresso do PCP, que está previsto decorrer entre sexta-feira e domingo no concelho.

Numa carta aberta, a que a agência Lusa teve acesso, os deputados sociais-democratas na Assembleia Municipal de Loures, no distrito de Lisboa, criticam a realização presencial do congresso e instam Bernardino Soares a sensibilizar os dirigentes do seu partido.

“Queremos apelar ao presidente Bernardino Soares [para] que demova os seus camaradas dos seus intentos de realizar presencialmente o congresso em Loures e que, aceitando esta nossa sugestão, defenda aqueles que por duas vezes em si confiaram os destinos do município de Loures”, pode ler-se.

Na missiva, os sociais democratas levantam várias interrogações a respeito da organização do congresso, nomeadamente sobre a logística envolvida com a alimentação e o alojamento dos congressistas.

Além disso, o PSD manifesta a sua preocupação com o facto de o pavilhão que vai acolher o evento ficar junto a duas escolas secundárias.

Num dia em que além do movimento normal da cidade, 600 pessoas oriundas de todo o país procurarão estacionamento nas imediações do pavilhão, usando parquímetros, usarão transportes públicos, entrarão em estabelecimentos comerciais, circularão em espaços públicos, tudo isto antes sequer de entrarem no recinto do evento”, argumentam.

Nesse sentido, os sociais democratas defendem que o congresso deverá realizar-se 100% digital.

“Não está em causa a legitimidade do evento e muito menos a capacidade do referido partido para a organização em segurança desta reunião, e na sua responsabilidade no perímetro do pavilhão, mas tão somente a enorme falta de compreensão, respeito e solidariedade para com os lourenses e com tudo que se tem passado nos últimos tempos”, concluem.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Loures escusou-se a comentar o caso.

O XXI congresso nacional do PCP vai decorrer entre sexta-feira e domingo no Pavilhão Paz e Amizade, na cidade de Loures.

Este congresso, com metade dos delegados, está envolto em polémica por acontecer em pleno estado de emergência devido ao surto epidémico.

O primeiro-ministro disse no sábado que a lei do estado de emergência “é clara e taxativa” ao impedir que sejam proibidas, dissolvidas ou submetidas a autorização para a realização de reuniões de partidos

Numa conferência de imprensa no Palácio da Ajuda, em Lisboa, para anunciar as novas medidas de combate à Covid-19, António Costa foi questionado sobre a realização do congresso do PCP, em pleno estado de emergência.

Mostrando uma folha com a lei do estado de emergência, “de 30 de setembro de 1986, uma lei muito antiga e que se manteve inalterada”, o primeiro-ministro considerou que “a lei é clara e taxativa” uma vez que “as reuniões dos órgãos estatutários dos partidos políticos, sindicatos e associações profissionais não serão em caso algum proibidas, dissolvidas ou submetidas a autorização prévia”.

Instado a comentar a perceção que esta reunião magna do partido poderá ter na opinião pública, uma vez que decorre num período em que haverá proibição de circulação entre concelhos, Costa escusou-se a discutir perceções e deixou claro que aquilo que tem de existir e existe “é a definição de regras da DGS que têm que ser respeitadas”.