37 aeronaves, muitos milhões de euros, 70 carros de luxo e contas bancárias cujos saldos ainda nem se conhecem na totalidade. Ao início da manhã do último sábado, uma mega operação desencadeada em Portugal e em outros países — como Brasil, Espanha e Bélgica — permitiu desmantelar uma organização criminosa dedicada ao tráfico de quantidades massivas de cocaína para Europa e ao branqueamento de capitais. No total, além de 179 buscas domiciliárias e não domiciliárias, nos vários estados, foram detidas 45 pessoas, 38 das quais no Brasil, quatro na Bélgica, uma em Espanha e duas no Dubai. O esquema já funcionava há vários anos e tinha raízes nos diversos continentes.

Só em território nacional a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária apreendeu no último fim de semana cerca de 12 milhões de euros em numerário, dois imóveis com valor estimado de 2,5 milhões de euros e várias contas bancárias cujos saldos ainda não se encontram totalmente contabilizados.

A investigação foi liderada  em Portugal pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que contou “com o suporte da Europol nas vertentes da coordenação e da análise de informação”, explica fonte oficial da Polícia Judiciária.

Esteve também envolvida a Polícia Federal do Brasil, a Polícia Judiciária Federal da Bélgica (Federale Gerechtelijke Politie, Police Judiciaire Fédérale), o Cuerpo Nacional de Policia de Espanha, a Polícia Nacional da Holanda (Politie), a Polícia da Roménia (Poliția Română) e da Polícia do Dubai (القيادة العامة لشرطة دبي‎)”, esclarece a Judiciária.

Nos restantes países também foram apreendidos milhões em euros, dólares e reais. Segundo a Polícia Judiciária, as suas congéneres apreenderam dois milhões de reais e 169.000 dólares americanos em numerário no Brasil, 300.000 euros em numerário na Bélgica, 163 imóveis no Brasil com valor estimado em mais de 132 milhões de reais, dois imóveis em Espanha com o valor estimado de 4 milhões de euros, 37 aeronaves no Brasil; 70 viaturas de luxo no Brasil, na Bélgica e em Espanha. Além disso, foram ainda localizados ativos financeiros de valor ainda não completamente determinado.

Os elementos disponíveis até ao momento indicam que a organização criminosa agora desmantelada foi responsável pela introdução de pelo menos 45 toneladas de cocaína por ano no continente europeu expedida a partir do Brasil por via marítima”, revela a PJ.

De acordo com a Europol, a droga entrava em território europeu através “dos principais portos marítimos”, obtendo o grupo lucros superiores a 100 milhões de euros por períodos de 6 meses.

A polícia europeia explica que a rede criminosa “tinha contacto direto com cartéis no Brasil e em outros países sul-americanos, onde a cocaína era preparada e era feito o embarque em contentores marítimos, com destino aos principais portos europeus”.

“A dimensão da importação de cocaína é enorme, tendo sido apreendidas mais de 52 toneladas de cocaína pelas autoridades apenas durante o curso da investigação”, refere ainda a Europol no seu site, adiantando: “Em abril de 2020, a Europol reuniu os países envolvidos, que desde então têm trabalhado em conjunto para estabelecer uma estratégia conjunta para desmantelar toda a rede. Os principais suspeitos foram identificados em ambos os lados do Atlântico, com o apoio da Operação EMMA 95 / LEMONT 26, a investigação liderada por França e Holanda contra a rede Encrochat”.

Desde então, a Europol tem fornecido coordenação e análise de inteligência para apoiar os investigadores no terreno. Durante em que foi levada a cabo a operação, oito oficiais desta polícia foram destacados para Portugal, Bélgica e Brasil, para apoiar as autoridades nacionais, garantindo uma análise rápida de novos dados à medida que iam sendo recolhidos durante a ação e ajustando a estratégia como requerido”, refere a Europol.

Para a Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, esta operação demonstrou “claramente que só através de uma forte cooperação entre as autoridades dos vários países é possível combater eficazmente este tipo de estruturas criminosas e as suas atividades ilícitas”.

Também o diretor adjunto da Europol, Wil van Gemert se pronunciou sobre o sucesso da investigação: “Esta operação destaca a estrutura complexa e o amplo alcance dos grupos de crime organizado do Brasil na Europa. A dimensão do desafio enfrentado hoje em dia pela polícia em todo o mundo exige uma abordagem coordenada para combater o tráfico de drogas entre os continentes. O empenho dos nossos países parceiros em trabalhar através da Europol sustentou o sucesso desta operação e serve como um apelo à ação global contínuo”.