Pinto da Costa sentiu-se mal no último adeus ao amigo e histórico dirigente Reinaldo Teles. O presidente do FC Porto, visivelmente emocionado com o momento, teve uma indisposição quando o carro fúnebre dava a volta ao Estádio do Dragão, tendo recebido assistência médica antes de entrar na viatura já com a situação normalizada. No local estavam centenas de dirigentes, figuras, atletas e adeptos do clube, numa homenagem que terminou com uma salva de palmas para aquele que foi uma das grandes referências dos azuis e brancos.

Morreu Reinaldo Teles, histórico dirigente do FC Porto e eterno braço direito de Pinto da Costa. Tinha 70 anos

“É normal que não se tenha sentido tão bem num determinado momento por esse conjunto de emoções, uma pessoa que conhecia há tantos anos, tiveram tantos êxitos juntos no FC Porto. Mas está tudo bem com o nosso presidente”, explicou Sérgio Conceição na conferência de imprensa de antevisão do jogo deste sábado nos Açores com o Santa Clara. Pouco depois, o líder portista foi visto a circular a pé, totalmente recuperado da quebra.

“Foi um extraordinário dirigente, fez muito pelo FC Porto.” Reações à morte de Reinaldo Teles

“É um momento emocionante e forte para os portistas. Já expressei o meu sentimento e é comum a todas as pessoas: tristeza, desilusão profunda para todos nós, e isso é bem visível no que foi a presença das pessoas e na forma como estão a viver o momento. As emoções estão sempre ligadas à nossa vida. É normal que assim aconteça. Existem jogadores que conhecem bem o senhor Reinaldo, outros nem tanto, mas pelo ambiente e atmosfera que existe percebem a grandeza da pessoa em questão”, acrescentou o treinador dos azuis e brancos, que em Marselha já tinha destacado a ligação a um dirigente histórico que conhecia desde os seus 16 anos.

Sérgio Conceição emociona-se na hora de dedicar vitória: “O senhor Reinaldo era o nosso ‘chefinho’, viu-me chegar com 16 anos…”

Conforme o clube tinha anunciado na véspera, o corpo de Reinaldo Teles saiu às 9h30 do Hospital de São João, onde faleceu na passada quarta-feira, e seguiu para a Igreja do Bonfim onde houve uma missa para a família, por onde passaram figuras como o antigo diretor Antero Henrique, o líder da Federação (e antigo vice e administrador dos dragões) Fernando Gomes, o presidente da Liga de Clubes Pedro Proença ou o líder da claque Super Dragões Fernando Madureira. Nas escadarias encontravam-se flores, cachecóis e coroas, tudo a azul e branco.

O carro fúnebre seguiu então para o Estádio do Dragão, há muito com a bandeira a meia haste, onde se cumpriu um minuto de silêncio “em homenagem ao adepto, associado, atleta, seccionista, diretor, vice-presidente e administrador com mais de meio século de ligação ao emblema portista”, como divulgara o clube. Cumprido esse momento, onde Sérgio Conceição deixou uma coroa em nome do plantel, e que terminou com uma salva de palmas, o carro fúnebre deu a volta pelo recinto, passando pela zona do Museu onde se concentraram elementos dos Super Dragões com muitas bandeiras, tochas e cânticos para a última homenagem da claque ao “tio”, como era carinhosamente tratado – e que fizeram questão na véspera de fazer uma vigília nessa mesma zona do estádio.

“O Reinaldo Teles assumiu ser o general do presidente no terreno e em 90 e tal [1996 a 1998] fizemos um trabalho meritório, eu como treinador e ele como chefe de departamento. Havia entre nós uma relação para além do desporto, fazíamos férias juntos muitas vezes, havia uma amizade pura entre mim e ele. Era uma pessoa de bem, com bom caráter. Tinha um amor louco pelo FC Porto, era sempre disponível, solidário e de grande honestidade e coerência. Foi campeão dos campeões, campeão do Mundo e da Europa, e sempre a manteve aquela humildade. Estava sempre disponível para tudo o que fosse preciso. O FC Porto beneficiou muito com a qualidade e a excelência do general que o nosso presidente teve a audácia de escolher”, recordou António Oliveira, antigo jogador e treinador dos dragões, na emissão especial que o Porto Canal fez deste último adeus.