O presidente do Brasil pediu na quinta-feira aos brasileiros para não demorarem a tomar banho para economizar energia, tal como fez em 2009 o presidente venezuelano Hugo Chávez.

Se você puder apagar uma luz, o Brasil agradece”, disse , Jair Bolsonaro numa transmissão em direto nas suas redes sociais, na qual recomendou aos brasileiros que “tomem banho um pouco mais rápido” para ajudar a economizar energia e evitar pagar mais por um serviço cujos preços estão a disparar.

Acompanhado pelo ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o chefe de Estado atribuiu o aumento do preço da eletricidade a uma grande seca que afetou o nível dos reservatórios que abastecem as centrais hidroelétricas, as quais produzem 65% da energia que o país consome.

Bolsonaro explicou que foi necessário acionar as termoelétricas do país, que geram energia “mais cara”, o que se reflete na tarifa paga pelos utilizadores.

O presidente desvinculou a situação de um apagão recente no estado do Amapá, no norte do país, região que sofreu um racionamento de energia por 20 dias, devido a um incêndio numa subestação, cujas causas ainda estão a ser investigadas.

Apesar disso, Bolsonaro pediu que se economize energia para evitar uma nova subida de preços.

Por volta das dez horas da noite apago todas as luzes. Vocês, que estão em casa, podem apagar uma luz agora. Evite desperdícios e tome banho um pouco mais rápido, porque também ajuda”, recomendou Bolsonaro, cuja retórica populista, ainda que de extrema-direita, muitas vezes é comparada ao estilo do falecido Hugo Chávez.

Embora a situação nos dois países seja completamente diferente, muitos brasileiros recordaram na quinta-feira que o líder da revolução bolivariana, que morreu de cancro em março de 2013, chegou a pedir aos venezuelanos, no início de uma grave crise energética que ainda não foi superada até hoje, que não demorassem no banho.

Tem gente que começa a cantar no chuveiro e fica meia hora no banho. Não, três minutos é mais do que suficiente. Eu contei, três minutos, e não cheiro mal, garanto. Um minuto para o sabonete, um minuto para o champô e mais um minuto para enxaguar”, disse Chávez em outubro de 2009, numa transmissão do seu programa” Aló Presidente”.

Na habitual transmissão semanal nas redes sociais de Bolsonaro, o ministro Ricardo Salles pediu ainda recursos económicos aos países críticos da sua política ambiental face à Amazónia, onde as taxas de desflorestação dispararam no último ano, e defendeu levar “prosperidade” aos habitantes daquela região.

Muitos dos que nos criticam podem meter a mão no bolso e colocar recursos para ajudar. Opinar gratuitamente é fácil, mas colocar dinheiro na mesa, em valores compatíveis com a magnitude do problema, é outra história”, disse Salles, cuja gestão ambiental é duramente criticada dentro e fora do Brasil.

Desde que o atual executivo brasileiro assumiu o poder, em janeiro de 2019, a desflorestação e os incêndios na Amazónia brasileira aumentaram drasticamente.

Entre agosto de 2019 e julho de 2020, o desflorestação naquela que é a maior floresta tropical do mundo aumentou 9,5% em relação ao período anterior e atingiu o seu maior nível desde 2008, segundo dados oficiais.

Contudo, Salles recusa-se a assumir responsabilidades pelo números, declarando que a desflorestação em 2004 – que chegou a cerca de 28 mil quilómetros quadrados, quando o progressista Luiz Inácio Lula da Silva estava no poder – foi “três vezes maior” do que no último ano.

Salles mostrou-se ainda aberto “à cooperação com todos os países que respeitem a soberania brasileira” para preservar aquele bioma.