Os assentos parlamentares são distintos, os argumentos para criticar foram diferentes, as mensagens à mensagem de António Costa tiveram um ponto em comum: de acordo com o Bloco de Esquerda, o CDS-PP e o Iniciativa Liberal, é preciso mais, melhor e/ou diferente às palavras do primeiro-ministro e aos atos do Governo para poder sustentar a esperança revelada na comunicação ao País para os desafios que se avizinham em 2021.

“Ano de combate, dor e resistência”. Primeiro-ministro reconhece dificuldades e lembra que “só não erra quem não faz” na mensagem de Natal

“Só palavras não chegam, têm de ter tradução em atos e ser consequentes. Reconhecer a importância do Serviço Nacional de Saúde e não reconhecer isso em atos é completamente insuficiente. Se se quer reconhecer, que devemos reconhecer, se se quer agradecer, que devemos agradecer, aos profissionais do Serviço Nacional de Saúde não podemos ter um prémio que exclui a maior parte desses mesmos profissionais. Não podemos contratos de quatro meses, milhares de trabalhadores, precários. Não podemos ter um Governo que recusa mexer nas carreiras de milhares de trabalhadores. Portanto, tem de colocar essas palavras num prémio que abranja todos os profissionais do SNS, em reconhecimento e valorização das carreiras desses profissionais e na contratação permanente e imediata desses profissionais que neste momento continuam precários no SNS, a trabalhar nesta noite de Natal precários”, começou por destacar Moisés Ferreira, deputado do Bloco.

“Sabemos que a vacinação é a saída da pandemia, é bom que comece no ano de 2020 mas sabemos que vai ser um processo longo, de meses, muito meses, e o SNS vai ter de ter a capacidade de vacinar a população inteira, a responder à Covid-19 que vai continuar e a toda a atividade programada que não é Covid. Por isso, não basta dizer que vai começar a vacinação, é preciso dizer que o SNS tem os meios para uma vacinação massiva de milhões de pessoas e para responder à pandemia. Foi isso que faltou, não anunciou nada para o SNS. Há apoios que continuam a não chegar, profissionais a recibos verdades há meses à espera de resposta sem apoio nenhum e o SNS que precisa de investimento e não teve. O que se espera é que, não regateando qualquer tipo de esforços, que não se continue no mesmo tipo de erros”, acrescentou Moisés Ferreira, numa comunicação na sede do Porto.

“O doutor António Costa serviu-nos hoje, em dia de Natal, um governo em fim de ciclo, sem qualquer capacidade para contagiar com esperança os portugueses. Este Natal de 2020 é marcado por uma angústia profunda em que centenas de milhares de portugueses viveram o Natal do seu descontentamento, sem qualquer espírito de Natal e sem direito ao seu milagre de Natal. Exigimos por isso mais do primeiro-ministro, exigimos muito mais deste Governo neste momento. A mensagem de António Costa desfia lamentos e acrescenta desalento ao desespero de centenas de milhares de portugueses”, comentou Miguel Barbosa, vice-presidente do CDS-PP.

Em paralelo, e a propósito da vacinação para a Covid-19, Barbosa mostrou-se preocupado “pela opção preferencial pelos centros de saúde, em alternativa a centros de vacinação em larga escala e pela ausência de um plano de comunicação agressivo de sensibilização da população para aderir à vacinação”. “Questionamos o porquê de os profissionais de saúde do setor privado não estarem incluídos na primeira fase de vacinação. O CDS defende também claramente um maior envolvimento das Forças Armadas em todo o plano de vacinação e no combate à pandemia em geral”, frisou o vice-presidente do partido numa segunda fase de reação.

“O primeiro-ministro fez um discurso ainda em confinamento político, uma vez que sabendo que não reúne uma maioria continua a assumir o discurso do PS como único caminho possível e parece ter esquecido com outras pontes políticas que são tão necessárias para o contexto social e económico. Fala de gratidão do SNS mas quando o PAN fala disso, da melhoria de condições, chumba essas propostas. A gratidão expressa-se em ações, as palavras só fazem sentido acompanhadas por medidas concretas”, disse André Silva, porta-voz e deputado do PAN.

“Depois, falou de esperança mas esquece-se que se estamos a falar por tantas dificuldades foi porque tivemos uma aposta errada num modelo que pôs todas as fichas no turismo que promove a precariedade laboral e não assegura a sustentabilidade ambiental, económica e social. Mais do que utilizar o alibi da crise sanitária, devíamos ter ouvido o primeiro-ministro defender a aposta num novo paradigma que diversifique a economia e assegure uma transição para  neutralidade carbónica com a criação de milhares de novos empregos”, continuou, deixando ainda uma crítica à falta de uma palavra para os mais jovens. “Que o PS perceba que é preciso uma mudança de postura”.

“Percebo o tom emocional de uma mensagem de Natal, mas governar tem de ser mais do que isto. Desde 2017 que as principais figuras do Estado acham que o futuro dos portugueses se resolve apenas com expressão de afetos. Portugal precisa de um Primeiro-Ministro bom (capaz de garantir um plano de vacinação sólido e ambicioso e um caminho de recuperação que não dependa só do Estado) e não apenas um Primeiro-ministro bonzinho (focado na gratidão e solidariedade a tantos a quem o Governo falhou). Assim fica difícil ter esperança”, salientou João Cotrim de Figueiredo, reforçando a importância de um bom plano de vacinação para aumentar confiança.

“Depois de ter falhado na prevenção da segunda vaga, depois de ter permitido o colapso do Serviço de Saúde, sobretudo nos cuidados não Covid, depois de ter falhado em dar condições aos profissionais de Saúde, depois de não ter reforçado os cuidados de Saúde com recurso aos sectores social e privado, só agora assume que possivelmente possam ter sido cometidos erros pelo governo. Mas infelizmente não se vislumbra uma mudança de rumo. Uma mensagem de Natal deve sobretudo apontar para o futuro e dar esperança, infelizmente não se ouviram novas soluções, apenas o mesmo caminho cujos resultados não têm criado condições para progresso. Temos um governo que não confia nos Portugueses. Um governo que não acredita e não dará condições à iniciativa privada”, completou o deputado do Iniciativa Liberal.

De referir que PSD e Chega irão apenas comentar o discurso do primeiro-ministro, António Costa, na manhã desta sábado. André Lima Coelho, vice-presidente do partido, será o interlocutor do PSD.