Na habitual mensagem de Natal destinadas aos portugueses no dia 25 de dezembro, o primeiro-ministro garantiu que o Governo tem procurado responder à pandemia com “equilíbrio e bom senso” e reconheceu a dificuldade de aprender “dia a dia a lidar com a novidade e a readaptar-se permanentemente perante o imprevisto”. “Certamente não fizemos tudo bem e cometemos erros, porque só não erra quem não faz”, afirmou António Costa, definindo 2020 como um ano de “combate, dor e resistência”.

Numa mensagem curta e dividida em três temas principais, o primeiro-ministro dirigiu-se aos portugueses ao longo de três palavras que abriram esses três tópicos: gratidão, solidariedade e esperança. Gratidão por todos os esforços da população face a um ano marcado pela pandemia; solidariedade para com todos aqueles que perderam entes queridos devido à Covid-19 ou que viram a situação profissional e laboral muito afetada; e esperança um futuro melhor, principalmente numa altura em que já se conhece a data de arranque do programa de vacinação.

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“Gratidão a todos portugueses, pela capacidade de adaptação e sacrifício, pela determinação e disciplina, pela responsabilidade cívica, com que têm coletivamente enfrentado esta pandemia. O COVID transformou por completo as nossas vidas. E se algum sucesso temos tido na contenção da pandemia, é justamente aos cidadãos que o devemos, pela sua resiliência, pela sua comunhão de propósito, pela união de um povo que soube manter-se coeso na adversidade, coletivamente irmanado neste desígnio comum de travar a expansão de um vírus que a todos ameaça”, disse António Costa.

Em seguida, o primeiro-ministro deixou palavras de gratidão mais particulares a todos aqueles que “prestam assistência a quem dela mais necessita, sejam funcionários de lares ou da Segurança Social, militares das Forças Armadas ou elementos das Forças de Segurança”. “Gratidão à mobilização da comunidade científica ou aos professores, que nunca abandonaram os seus alunos, mesmo quando as escolas tiveram de encerrar. E gratidão a todos os que, ininterruptamente desde março, mantiveram o país a funcionar e que, na agricultura, na indústria e no comércio, têm garantido que nada de essencial nos tenha faltado”, acrescentou Costa, dedicando depois um agradecimento “especial” aos profissionais de saúde, personalizando com os casos específicos de uma médica do Hospital São João e uma enfermeira do serviço de infecciologia do Curry Cabral.

“Dia e noite dão o seu melhor para tratar quem está doente, tantas vezes com sacrifício de folgas, tempo de descanso e contacto com a sua própria família (…) A todos, a minha, a nossa gratidão”, atirou. No capítulo da solidariedade, António Costa deixou um “abraço fraterno e caloroso a todas as famílias, porque nenhuma se pôde juntar como habitualmente”.

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“Às famílias enlutadas pela perda dos seus entes queridos que sucumbiram a este vírus, a quem expresso sentido pesar. Às famílias que têm familiares doentes, a quem faço votos de rápida recuperação, ou que se encontram em isolamento profilático, a quem desejo que se mantenham de boa saúde.  Às famílias dos nossos compatriotas da diáspora, que este ano não puderam vir matar saudades ao seu país (…) Quero também expressar solidariedade a todos – e tantos são – os que sofrem as graves consequências económicas e sociais desta pandemia”, considerou o primeiro-ministro, deixando depois a garantia de que tem “consciência da dureza de muitas das medidas” que foram tomadas”.

“Limitando liberdades, proibindo atividades ou adiando projetos de vida, para defender a saúde pública, conter a transmissão do vírus, garantir capacidade de resposta dos serviços de saúde, salvar vidas. Tenho bem consciência do impacto profundo destas medidas na vida de todos nós. No convívio social, de que tivemos de abdicar; nos afetos que não pudemos manifestar, em especial aos mais idosos; na estabilidade emocional de muitas pessoas em isolamento; e também na economia, com tantos empresários a lutar pela sobrevivência das suas empresas e tantos trabalhadores que perderam ou temem perder o seu emprego e o seu rendimento”, explicou, atribuindo à solidariedade a chave para “vencer a pandemia e recuperar da crise económica e social que ela gerou”.

Por fim, a esperança. António Costa lembrou que o programa de vacinação contra a Covid-19 está prestes a começar e que, “mesmo sendo um processo faseado e prolongado no tempo”, esse fator oferece uma “renovada confiança” de que é possível “debelar esta pandemia”. “Por outro lado, poderemos contar durante o próximo ano com a solidariedade reforçada da União Europeia, para apoiar o esforço nacional de iniciar uma recuperação sustentada, que nos permita não só superar as dificuldades que atualmente vivemos, mas, sobretudo, enfrentar os problemas estruturais que historicamente limitam o potencial de desenvolvimento do país. Definimos uma visão estratégica para o futuro de Portugal e dispomos agora dos meios para a concretizar, abrindo assim às novas gerações o horizonte de um país mais justo, mais próspero, mais moderno”, concluiu o primeiro-ministro, garantindo que está com “enorme honra” ao “serviço de Portugal”.