O campeonato português de râguebi pode ser interrompido se o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) não vir reforçadas as verbas para apoiar os testes à Covid-19, admitiu esta terça-feira o presidente da Federação (FPR). Em declarações à agência Lusa, Carlos Amado da Silva frisou que o organismo que tutela a modalidade pretende evitar esse cenário a todo o custo, mas não colocou de parte essa hipótese, “caso os clubes passem a ter de suportar as despesas” de testagem.

“Vamos fazer de tudo para continuar, mas se não houver apoios e os clubes tiverem de passar a suportar essa despesa, o campeonato pode parar. Tem de haver boa vontade e verbas suplementares para apoiar um custo também ele suplementar”, frisou Amado da Silva. A FPR já gastou “mais de 50 mil euros” em testes à Covid-19 desde o início do campeonato, uma verba que “não estava inscrita” no orçamento do IPDJ que esta terça-feira, segundo Amado da Silva, informou que não obteve verbas suplementares da parte do Governo que lhe permitissem apoiar esse tipo de custos.

No final de agosto, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou as normas para a retoma das competições de modalidades coletivas e incluiu o râguebi no grupo de modalidades de “alto risco” de contágio, motivo pelo qual o campeonato só pôde arrancar após a aprovação de um rigoroso protocolo que incluía a realização testes rápidos a todos os intervenientes antes de um jogo. Em setembro, a FPR adquiriu e distribuiu pelos clubes mais de quatro mil testes rápidos e tem vindo a suportar esse custo, na expectativa de que pudesse ser comparticipado pelo IPDJ.

“Agora, o Governo diz que não tem dinheiro para dar apoio às modalidades amadoras. Pagaram milhares de testes à Cruz Vermelha Portuguesa para ganharem dinheiro com eles e não têm para apoiar uma entidade com estatuto de utilidade pública”, criticou o dirigente. Amado da Silva frisou ainda que “o IPDJ não tem culpa” e atira para cima do Governo a responsabilidade de, “mais uma vez”, deixar o desporto “fora dos apoios” que têm vindo a ser dados aos diferentes setores de atividade.

A Divisão de Honra do campeonato nacional, principal escalão competitivo de râguebi português, arrancou no final de setembro e tem a 3.ª jornada da fase final prevista para o primeiro fim de semana de janeiro. Além dos jogos à porta fechada e do protocolo sanitário aprovado para permitir a retoma da competição, o campeonato contemplou, ainda, uma fase regional para evitar longas deslocações das equipas num período de plena expansão da segunda vaga da pandemia de Covid-19.