Pelo quinto ano consecutivo, o Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde, no distrito do Porto, voltou a aumentar o número de partos efetuados, fechando o ano de 2020 com 1.324 bebés nascidos na unidade.

Em comparação com 2019, foram realizados mais 59 partos, confirmando uma tendência crescente que se verifica desde 2015, quando se verificaram 737 nascimentos, o número mais baixo dos registos.

“Quando a nível nacional existe uma quebra de natalidade, é um orgulho verificar que ano após anos continuamos a aumentar os números, merecendo a confiança das parturientes. Todo o mérito tem de ser dado aos nossos profissionais, nomeadamente da área da obstetrícia”, disse à agência Lusa o presidente do Conselho de Administração do Hospital, Gaspar Pais.

O responsável enalteceu a superação do serviço, sobretudo num ano de 2020 tão condicionado pela pandemia de Covid-19, garantindo que a integridade do serviço de obstetrícia foi resistindo às alterações estruturais que foram necessárias aplicar em outros serviços.

“Um parto é sempre um ato urgente, e, por isso, não podíamos deixar que a pandemia tivesse um impacto direto nessa atividade. Tivemos que impor alguns constrangimentos, nomeadamente nos acompanhantes, mas nunca deixámos que globalmente se afetasse o bem-estar das parturientes e dos bebés”, vincou Gaspar Pais.

O presidente do Conselho de Administração desta unidade, que serve uma população de mais de 140 mil habitantes dos dois concelhos, garantiu que, “apesar das limitações das infraestruturas”, o hospital está a preparar-se para em 2021 voltar a aumentar o número de partos.

“O nosso grande calcanhar de Aquiles centra-se nas instalações, que não são tão atualizadas e espaçosas como pretendíamos. Mas é um problema que estamos a resolver, melhorando a parte do internamento. Teremos, depois, de acompanhar essa evolução com mais recursos humanos”, partilhou Gaspar Pais.

O responsável enalteceu a confiança dos residentes nos dois concelhos nos serviços prestados pelo Centro Hospitalar, e lembrou que no caso da obstetrícia a valência é procurada por muitas grávidas de outras regiões, nomeadamente das ilhas.

De acordo com dados do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce, conhecido como “teste do pezinho”, divulgados em 13 de outubro, o número de bebés nascidos em Portugal nos primeiros nove meses do ano passado baixou 1,2% em relação ao mesmo período de 2019, totalizando 64.390.

O número representa uma quebra de 775 nascimentos entre janeiro e setembro face a igual período de 2019, em que foram rastreados 65.165 recém-nascidos no âmbito Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN), coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Janeiro foi o mês que registou o maior número de “testes do pezinho” realizados (8.043), seguido de setembro (7.712), julho (7.625), março (7.182), abril (7.067), junho (7.048), maio (6.910), agosto (6.904) e fevereiro (5.899).

O “teste do pezinho”, que cobre quase a totalidade dos nascimentos no país, é realizado a partir do terceiro dia de vida do recém-nascido, através da recolha de umas gotículas de sangue no pé da criança, e permite diagnosticar algumas doenças graves que clinicamente são muito difíceis de diagnosticar nas primeiras semanas de vida e que mais tarde podem provocar alterações neurológicas graves, alterações hepáticas, entre outras situações.

Estes testes permitem identificar crianças que sofrem de doenças, como a fenilcetonúria ou o hipotiroidismo congénito, que podem beneficiar de intervenção terapêutica precoce.